Audiência pública: UNIFESP, LUTAS SOCIAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS NA REGIÃO DOS PIMENTAS

Amaro Henrique Pessoa Lins
Secretaria de Ensino Superior / MEC

Atílio Pereira
Secretaria de Transportes e Trânsito de Guarulhos

Plínio Soares dos Santos
Departamento de Gestão Urbana
Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Guarulhos

Representantes movimentos populares
Bairro dos Pimentas

Data: 12 de novembro de 2012
Horário: 19h00
Local: Teatro Adamastor – Unifesp/Campus Guarulhos
Organização: Movimento pela Permanência da EFLCH/UNIFESP nos Pimentas
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Fleury é escrachado nos 20 anos do Massacre do Carandirú

Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo…
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!
O ser humano é descartável no Brasil.
Como modess usado ou bombril.
Cadeia? Claro que o sistema não quis.
Esconde o que a novela não diz.
Ratatatá! sangue jorra como água.
Do ouvido, da boca e nariz.
O Senhor é meu pastor…
perdoe o que seu filho fez.
Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter.
sem arma, sem socorro.
Vai pegar HIV na boca do cachorro.
Cadáveres no poço, no pátio interno.
Adolf Hitler sorri no inferno!
O Robocop do governo é frio, não sente pena.
Só ódio e ri como a hiena.
Ratatatá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue.
Mas quem vai acreditar no meu depoimento?

(Racionais MCs – Diário de um detento)

No dia 2 de outubro de 1992, policiais invadiram o presídio do Carandiru durante uma rebelião atacaram, e mataram, com uso de metralhadoras, fuzis e pistolas, ao menos 111 presidiários. E hoje, 20 anos depois, os maiores responsáveis pelo extermínio continuam impunes.

Ex-governador é chamado de “assassino” e é eleito “símbolo da impunidade” por manifestantes

Por Igor Carvalho em 02/10/2012
Fonte: Spresso SP

Luiz Eduardo Fleury foi “escrachado”, nesta terça-feira, por seu envolvimento no Massacre do Carandiru (Arte: Rede 02 de Outubro)

Nesta terça-feira (02), no bairro do Pacaembú, zona oeste de São Paulo, o governador de São Paulo à época do Massacre do Carandirú, foi “escrachado” por aproximadamente 50 pessoas em frente à sua casa, no número 50 da rua Monte Verde. A manifestação faz parte de uma série de atos previstos para marcar os 20 anos da fatídica tarde em que o Pavilhão 9 foi invadido e 111 presos morreram, na Casa de Detenção do Carandiru.

O protesto foi chamado pela Rede 2 de Outubro e pelo Levante Popular da Juventude, grupo responsável por outros escrachos, contra torturadores da Ditadura Militar. Durante o protesto, Luiz Antonio Fleury Filho não saiu, apenas alguns seguranças apareceram na guarita de segurança. “Ele sempre será lembrado como o governador que estabeleceu a chamada ‘linha dura’ em São Paulo”, dizia o manifesto dos organizadores, lido antes do ato.

Para JF, militante da Rede 2 de Outubro, “ele [Fleury] ordenou o massacre, mesmo que não tenha feito, foi negligente, o Estado tem autonomia nas decisões da Polícia Militar.”

Uma das justificativas apresentadas, pelos coordenadores do ato, para a escolha do ex-governador, é que o modelo de gerir o Estado não modificou, desde o massacre, e que ele seria um símbolo dessa prática “genocida”. “Questionamos essa lógica do massacre, que ao invés de recuar, se intensificou nesses 20 anos, é uma lógica criminosa que afeta, principalmente, a população pobre e negra,”, afirmou DC, membro da Rede 2 de Outubro e coordenador do grupo Mães de Maio.

Os nomes de todos os 111 mortos foram lidos, enquanto velas eram acesas e fixadas no chão, onde um corpo foi demarcado. Os manifestantes se retiraram gritando, acompanhados dos tambores do Levante Popular da Juventude:

“Ela é injusta, ela é racista,
ela mata, ela é a polícia”

COMUNICADO URGENTE DO MOVIMENTO MÃES DE MAIO

Diante de algumas declarações e insinuações recentes buscando claramente estigmatizar o nosso movimento Mães de Maio, com o patente interesse de criminalizá-lo, nós vimos por meio desta deixar bem claro e reforçado que somos uma Rede de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência com o exclusivo interesse de defender o Direito à Memória, à Verdade e à Justiça referente aos nossos entes queridos vitimados injustamente pela violência de agentes do estado. Superando a dor irreparável da perda fatal de nossos filhos e entes queridos, lutamos cotidianamente pela Verdade e por Justiça em relação a TODAS as vítimas atingidas pelos mais diversos tipos de violações dos Direitos Humanos mais fundamentais, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir em segurança por nossas cidades.

Não é por outra razão, senão por conta de nossos princípios e práticas cotidianas em busca de justiça e transformação social pela paz, que ao longo desses mais de 6 anos de existência nosso movimento já foi amplamente reconhecido nacional e internacionalmente, por entidades como a Anistia Internacional, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Human Rights Watch, a Clínica de Direitos Humanos da Universidade de Harvard, o Prêmio Nacional 2010 de Direitos Humanos da Secretaria de DH da Presidência da República do Brasil, a Associação de Juízes pela Democracia, o Prêmio Nacional 2011 da Associação Nacional dos Defensores Públicos, o Prêmio Santo Dias 2011 de Direitos Humanos da ALESP, homenagem da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça pelo Dia da Mulher em 2012, entre diversas outras manifestações contundentes de reconhecimento e congratulação pelo nosso compromisso incansável com a Verdade, a Justiça e os Direitos Humanos, sobretudo da população mais pobre e vulnerável no Brasil.
Nada nem ninguém nos desviará desses princípios, desse compromisso e dessa firme trajetória! Tampouco conseguirá, sob nenhuma hipótese, nos estigmatizar fraudulentamente com caracterizações que não nos dizem respeito, em absoluto.
MOVIMENTO MÃES DE MAIO
Por Verdade e Justiça, Ontem e Hoje!

17 de abril: 16 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

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Massacre de Eldorado dos Carajás: 16 anos sem punição
Em 17 de abril de 1996, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados em uma operação da PM enquanto protestavam

17/04/2012
Fonte: 
Vivian Fernandes / Brasil de Fato

Ao se aproximar do local conhecido como “curva do S”, na rodovia PA-150, próximo à cidade de Eldorado dos Carajás (PA), é possível ver pneus com bandeiras vermelhas fincadas, alertando que ali ocorre uma atividade. Neste lugar, no dia 17 de abril de 1996, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados em uma operação da Polícia Militar, quando protestavam na estrada. Em 2012, jovens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará relembram a data através do Acampamento Pedagógico da Juventude, entre os dias 7 a 17 deste mês.O “Massacre de Eldorado dos Carajás” completa 16 anos em 2012 sem punições de responsáveis, com conquistas dos trabalhadores na região e com a juventude sem-terra aprendendo com seus lutadores e mártires a importância da luta popular. Desde 2006 o Acampamento de jovens é realizado, como conta a integrante da direção estadual do MST, Maria Raimunda César.

“Desde o Massacre de Eldorado dos Carajás fazemos um ato aqui na ‘curva do S’. Um momento de denúncia, de mobilização nacional e internacional em torno da impunidade no campo. E fomos sentido como que a gente transformava isso, um imaginário de luta, de continuidade dessa luta. Que não fosse um lugar que relembrasse a tristeza, mas que trouxesse à memória uma perspectiva de continuidade”.

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Extensão: Situação Crítica (09/04)

Debate Entre Unifesp e Pimentas: identidades e subjetivação

 

Com TALES AB’SABER
Psicanalista, Prof. do depto de filosofia da EFLCH UNIFESP. Autor de “O sonhar restaurado” (2005) e “Lula: carisma pop e cultura anticrítica” (2012).

 

Texto de leitura: “Fim de século” de Roberto Schwarz in Sequencias brasileiras (Baixe aqui)

Dia 09/04 (segunda)
Das 18h às 19h30

Brasil de Fato: Construir a luta popular pela Comissão da Verdade

As forças sociais se movimentam para defender ou impedir que a verdade venha à tona

Brasil de Fato: Editorial ed. 473
21/03/2012

Florestan Fernandes denunciou que a transição controlada da ditadura se transformaria no grande trauma nacional. A partir do entendimento da transição “lenta, gradual e segura” como um movimento de adiamento do desenlace da crise da autocracia burguesa Florestan Fernandes conceituou a Nova República e a operação de “conciliação pelo alto” que lhe deu sustentação, como interrupção da contrarrevolução preventiva desencadeada em 1964 com vistas a barrar, mais uma vez, as potencialidades de uma revolução democrática e nacional alimentadas pelo próprio desenvolvimento do capitalismo dependente em sua fase monopolista. O alvo principal desta operação política promovida pelas classes dominantes era o emergente movimento social das classes subalternas, nascido durante a crise da ditadura, que apresentava uma nítida propositura programática de “revolução dentro da ordem”, embora já apontando tarefas de “revolução contra a ordem”.

Mais uma vez sua análise foi correta. As eleições de 2010, onde os setores mais conservadores da burguesia foram novamente obrigados a buscar um candidato que ostentasse a luta contra ditadura em seu currículo e as acusações desse candidato contra nossa presidenta Dilma atacavam sua coragem em ter participado da resistência armada, comprovam que o tema segue sendo um forte trauma em nosso imaginário coletivo.    Continuar lendo