49 anos do Golpe Militar no Brasil

Há 49 anos, na madrugada de 31 de março para 01 de abril de 1964 iniciaram-se as ações que implantaram no país um Estado de ditaduranuncamaisExceção. Militares articulados com grupos conservadores civis tomaram o poder e assim findaram-se direitos e liberdades; quando práticas autoritárias de violência passaram a ser cotidianas.

Há 49 anos se iniciava no Brasil um período de terror. Em 01 de abril de 1964 o Brasil via o então presidente João Goulart ser deposto e os militares disfarçados sob um discurso de ordem, de progresso, tomar à força o poder. Um curto período de desenvolvimento baseado em dívidas com o capital internacional ocultavam os cadáveres de quem exigia direitos. Curto período de crescimento para uma parcela mais rica da sociedade, aumentando ainda mais o poder econômico de quem já era da elite. E a promessa era sempre de que as pessoas precisavam ficar mais ricas, para depois repassar o crescimento econômico para as outras classes. Mas esse bolo nunca foi repartido.

Pessoas que queriam continuar exercendo o direito básico de se manifestar sofreram torturas terríveis; pessoas que ousaram se indignar foram mortas. Espaços democráticos de luta e manifestação como Centros Acadêmicos, Sindicatos, Associações e Partidos foram fechados; o pensamento foi cerceado e a resistência foi combatida com autoritarismo e violência desenfreada.

Mesmo assim não foi possível calar todas as vozes. Em meio a tanto terror, pessoas continuaram lutando das mais diversas formas; quer seja com armas na mão, quer seja mantendo suas atividades cotidianas. E, por lutarem, continuaram a sofrer, há quem tenha morrido vitima da repressão e nunca conquistado a justiça em seu favor para punir os autores. Há quem desapareceu e a dor de seus familiares nunca foi saciada com o justo destino digno de seus corpos.

Passados tantos anos, hoje estamos de volta à “democracia”. Mas o que se percebe é que ainda há muitas “heranças” deste tempo sombrio. A desqualificação da luta política, a criminalização de movimentos sociais (inclusive o movimento estudantil), a criminalização da pobreza, o estado militarizado, a instituição da tortura, o sucateamento da educação, entre outras.

A luta pela memória dessa História recente do nosso país vai muito além da reparação aos familiares de mortos e a busca por informação de desaparecidos políticos, é também uma luta para erradicar da sociedade os ranços deste Estado de Exceção que permanecem em nosso cotidiano.

E, como se não bastasse tal luta para reconstruir uma democracia verdadeira, ainda hoje percebemos vários tipos de homenagem da “democracia” aos tempos de tirania. Clubes militares, comandos policiais e outras instituições ainda hoje reivindicam aquele ataque à humanidade como “Revolução”. Ou ainda nomes de logradouros que carregam o nome daqueles que comandaram e participaram das mais perversas ações criminosas, contra homens, mulheres, crianças, preenchendo nossa memória com indivíduos e práticas que deveriam ter sido expurgadas da sociedade. E quando manifestações buscam confrontar essas ideias continuam sendo repreendidos com a mesma violência presente naqueles “anos de chumbo”.

Dessa forma, percebemos que a disputa pela memória da Ditadura Civil-Militar é uma luta que devemos empreender no nosso dia-a-dia, desvelando as pequenas ações e hábitos que ainda nos fazem viver em um ambiente autoritário travestido de democracia.

Propomos por este manifesto uma tomada de consciência da importância desta luta e da necessidade de cada vez mais pessoas aderirem a ela. Uma luta que deve ser feita não apenas pelos historiadores e historiadoras, mas sim empreendida por todos os cidadãos e cidadãs para restaurar um passado que é nosso, reconstruir a memória sobre essa história e com isso atuar no presente para construir um futuro em que as pessoas possam viver sem o medo cotidiano da repressão, da tortura e da morte.

Repudiamos duramente qualquer comemoração em homenagem aos dias de terror. Seja por festas promovidas por associações militares, seja manifestação pública, ou pelos comentários asquerosos daqueles que sonham em voltar à Ditadura!

POR UMA COMISSÃO DA VERDADE QUE LUTE POR JUSTIÇA

PELO DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA

 PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS POPULARES

PRA NÃO ESQUECERMOS JAMAIS

DITADURA NUNCA MAIS!

Hoje é um dia da verdade!

cartaz01

1º de abril

Popularmente conhecido como o Dia da Mentira. Um dia de brincadeiras em que muito do que se diz não deve ser levado a sério.

 

É um dia pra se falar a verdade!
E uma verdade dura, que não pode deixar ser dita, que não pode ser esquecida.

Em 01 de Abril de 1964 militares, unidos a empresários e donos de industrias multinacionais, tomaram o poder do presidente João Goulart, que havia sido eleito pelo povo.  Com o GOLPE se instalou no Brasil um período de muita violência e descaso com a população pobre que vive aqui: A DITADURA MILITAR.

Com a Ditadura, tornou-se prática prender qualquer pessoa que ousasse falar algo contra o governo ou suas ações. Além de serem presas, essas pessoas sofriam diversas formas de violência, tanto física quanto psicológica, com o objetivo de intimidar ou punir. Da legitimação da violência, institucionalizou-se a tortura.

A prática mais comum de tortura era através de choques em partes sensíveis do corpo, como mamilos e genitais. Também era comum pendurar as pessoas de cabeça para baixo por bastante tempo, para que o sangue se concentrasse na cabeça e se tornasse difícil pensar. Todas insuportavelmente dolorosas.

Como se não bastasse essas atrocidades contra seres humanos terem acontecido para garantir o poder aos golpistas, elas foram tão usadas que se tornou comum, cotidiano e continua acontecendo de forma direta ou indireta, principalmente contra os mais pobres. E assim o povo segue sendo torturado. Nas prisões, em casa. Ou nas ruas da periferia. Quem nunca levou um enquadro?

Mas não é só por isso que é importante saber a verdade sobre a data de hoje. Também é necessário dizer que a Ditadura foi responsável por expulsar milhares de pessoas que moravam em áreas próximas ao centro e forçando-as a morar em regiões precárias, de difícil acesso, sem esgoto encanado, eletricidade e transporte público. Ou fazendo pobre virar sinônimo de criminoso. Assim como impediu que os mais pobres tivessem acesso à educação de qualidade, o que persiste até hoje, reduziu os salários, intensificou a desigualdade social, aprofundou preconceitos.

Tudo isso mostra como é importante saber a verdade sobre nosso passado, onde estão as raízes de nossos problemas. Só conhecendo esse passado poderemos transformar nosso presente e ter um futuro melhor. Os poderosos de ontem ainda são poderosos e querem que a gente esqueça. Não esqueceremos!

Hoje é um dia da verdade!

Nota do CAHIS UNIFESP contra o Projeto de Lei que enaltece crimes da PM

Recentemente o ex-coronel da Rota e vereador do PSDB em São Paulo, Paulo Telhada, conseguiu a aprovação de um projeto na Câmara Municipal que visa “enaltecer as campanhas de guerra da Rota”, inclusive realizando homenagens à campanha conhecida como “Boinas Negras”, que atuou durante a Ditadura Civil-Militar e foi responsável, entre outros atos, pela morte de Carlos Marighella e Carlos Lamarca.

Além disso, parte do texto que exalta a ação do batalhão diz que “os remanescentes e seguidores de Lamarca e Marighella continuam a implantar o pânico, a intranquilidade e a insegurança na Capital e na Grande São Paulo”.

Tais afirmações tem o intuito de traçar um paralelo entre as ações de resistência empreendida por tantas e tantos lutadores que não se calaram diante das atrocidades da Ditadura com os níveis atuais de violência enfrentados nas grandes cidades como São Paulo atualmente.

Caso seja possível traçar esse paralelo ele deve ser feito de outra forma. A Ditadura civil-militar não foi apenas um governo que minou as liberdades individuais dos cidadãos, não foi apenas um regime que matou e torturou quem não concordava com a falta de democracia e com o Golpe imposto na noite de 31 de Março para 01 de abril de 1964. Essa Ditadura foi responsável direta por elevar ainda mais os já altos índices de desigualdade social existentes no Brasil. Foi responsável por projetos de educação elitista, de exclusão escolar para as camadas mais baixas da sociedade e por privatização de vários setores essenciais para a sociedade, como a saúde e a moradia, por exemplo.

Esses fatores de exclusão social são diretamente responsáveis pelo crescimento da criminalidade em grandes centros urbanos e é de inteira responsabilidade do Estado que não só é omisso na sua obrigação de cuidar de toda a cidadã e todo cidadão como também foi responsável por fazer com que o rico ficasse ainda mais rico enquanto que o pobre chegasse em situações extremas de pobreza.

Portanto não seremos coniventes com nenhuma tentativa de exaltação de uma corporação que foi criada com o único intuito de garantir o status quo; de garantir que esse projeto de favorecimento das elites fosse levado a cabo. Não há nada para se exaltar em uma corporação que é a arma do Estado para reprimir a classe trabalhadora, que foi abandonada pelo Estado desde sempre, que sofreram ainda mais durante a Ditadura civil-militar e que continuam esquecidas.

Repudiamos toda e qualquer tentativa de manipulação da memória; uma Ditadura que matou, oprimiu, torturou e aumentou a desigualdade social só deve servir de exemplo para que isso nunca mais aconteça.

LAMARCA, PRESENTE!

MARIGHELLA, PRESENTE!

TORTURA NUNCA MAIS!

PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!

PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!

Memorial da Resitência: Transições – Das ditaduras às democracias na América Latina

15 de dezembro de 2012 a 10 de março e 2013

 Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz
de 15 de dezembro de 2012 a 10 de março de 2013
Abertura: 15 de dezembro, das 13h às 16h

 

 “Transições” é resultado de um trabalho coletivo realizado pelas instituições de 10 países integrantes da Rede Latino-Americana da Coalizão Internacional de Sítios de Consciência, uma rede mundial que atua por meio de redes regionais, e da qual o Memorial da Resistência é membro desde 2009.
As instituições de cada país selecionaram imagens que considerassem mais representativas ou emblemáticas das transições dos governos autoritários ou ditatoriais para a democracia, de conflitos armados internos a processos democráticos e de momentos considerados marcantes, de rupturas e/ou de decisiva inflexão na história social e política das últimas décadas.
As fotografias possuem identidade própria, mas os painéis fotográficos que mostram os principais acontecimentos de cada um dos dez países que compõem a exposição estabelecem uma sequência que pode evidenciar um importante vínculo entre si.
A ideia de organizar a mostra teve dois objetivo principais: em primeiro lugar, buscar a possibilidade de criar uma exposição itinerante que, por meio de mecanismos muito simples, pudesse ser impressa e exibida pelos membros da Rede e em outras instituições.
O segundo objetivo consistiu em provocar um debate sobre as formas pelas quais representamos – nas mostras e exposições em museus de nossas instituições – as transições ou rupturas que marcaram etapas na história recente que pretendemos contar.Participaram da atividade as seguintes instituições:

  • da Argentina, o Archivo de la Memoria de la Provincia de Córdoba, Casa por la Memoria y la Cultura Popular, Centro Cultural por la Memoria de Trelew, Museo de la Memoria (Rosario), Dirección de Derechos Humanos de Morón, Memoria Abierta;
  • do Brasil, o Memorial da Resistência de São Paulo e o Núcleo de Preservação da Memória Política; do Chile, a Agrupación de Familiares de Paine, Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, Corporación Parque por la Paz Villa Grimaldi, Estadio Nacional;
  • de El Salvador, o Museo de la Palabra y la Imagen;
  • da Guatemala, o Archivo Histórico de la Policía Nacional e o Centro de Investigaciones Regionales de Mesoamérica;
  • do México, o Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de las Casas e a Organización Sociedad Civil Las Abejas;
  • do Paraguai, o Museo de las Memorias: Dictadura y Derechos Humanos e a Dirección de Verdad, Justicia y Reparación;
  • do Peru, a Asociación Paz y Esperanza, Movimiento Ciudadano Para que no se Repita e a Asociación Caminos de la Memoria;
  • Da República Dominicana, o Museo Memorial de la Resistencia Dominicana;
  • e do Uruguai, o Centro Cultural y Museo de la Memoria (Uruguai).

CAROS AMIGOS: Coleção “A Ditadura Militar no Brasil” em versão digital

A proposta da coleção “A Ditadura Militar no Brasil” é mostrar episódios e personagens da história do Brasil a partir do nosso ponto de vista. Que difere substancialmente da encontrada em trabalhos semelhantes publicados pelas editoras grandes de revistas e jornais, mesmo porque elas defenderam e defendem a elite econômico-financeira que sempre dominou o poder e não admite qualquer projeto de reforma institucional que possa ameaçar seus privilégios. Como aconteceu no episódio que vamos contar nesta série de fascículos, como aconteceu em episódios anteriores e como pode acontecer cada vez que um governo propuser mudanças estruturais ao país.

No caso, as editoras grandes apoiaram vigorosamente o golpe de Estado que inaugurou o longo período chamado “anos de chumbo”, a ditadura militar que durou 21 anos, de 1964 a 1985. (Revista Caros Amigos)

Acesse as revistas nos links abaixo:

A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 01
Volume 01 – A noite do Golpe
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 02
Volume 02 – Antecedentes do
golpe, suicídio de Getúlio
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 03
Volume 03 – Jango,
ascensão e Queda
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 04
Volume 04 – Governo
Castelo Branco
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 05
Volume 05 – Governo
Costa e Silva
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 06
Volume 06 – Governo Médici I
(1969-1974) O Milagre
A Ditadura Militar No Brasil - Fasc nº 07
Volume 07 – Governo Médici II
(1969-1974) A Tortura

Domingo, 11 de novembro de 2012, vamos escrachar José Maria Marin!

Domingo, 11/11 de 2012
Concentração às 14h, no MASP

José Maria Marin é hoje presidente da CBF e da COL, Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Mas poucos sabem que é também apontado como um dos responsáveis pela morte de Vladimir Herzog, então diretor de Jornalismo da TV Cultura, cruelmente torturado e morto nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, aparelho do Estado responsável pela pela repressão e pela tortura de incontáveis brasileiros que lutaram contra o Regime Militar.

José Maria Marin, naquele momento deputado estadual pela ARENA, não gostava do viés jornalístico da TV Cultura, que não dava tanta importância a inaugurações da Ditadura e noticiava misérias do nosso povo, disseminando “intranquilidade” em São Paulo, conforme reprodução do seu discurso no Diário Oficial, 16 dias antes de Vlado ser “suicidado pela Ditadura”.

José Maria Marin, que viria a ser vice-governador biônico de Paulo Maluf, tendo o substituído por um ano, dias antes já declarava, também na Assembleia Legislativa de São Paulo, que devia ser reconhecido o grande serviço que Sérgio Paranhos Fleury “e sua equipe” ofereciam ao Brasil. Fleury chefiou durante anos o DOPS, Departamento Estadual de Ordem Política e Social, responsável pela tortura, assassinato e ocultação de cadáveres de milhares de pessoas que ousaram lutar contra a Ditadura.

Neste domingo, 11 de novembro de 2012, às 14h, nos reuniremos no vão do MASP, na Avenida Paulista, para declararmos que não esqueceremos dos crimes da Ditadura Militar cometidos contra a população brasileira!

Não admitimos que, até hoje, as circunstâncias que levaram a morte de Vladimir Herzog não tenham sido completamente esclarecidas e seus responsáveis não tenham sido punidos!

Não consentiremos que homens dessa estirpe continuem a gozar de tal influência no governo a na sociedade!

A sociedade não tolera a impunidade, privilégio ofertado a homens como José Maria Marin!

Neste domingo, 11 de novembro de 2012,
vamos escrachar José Maria Marin!

ARTICULAÇÃO ESTADUAL PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DE SÃO PAULO

http://pelaverdadeejustica.wordpress.com/

Opera Mundi: Jango foi envenenado pela Operação Condor, revela ex-agente secreto uruguaio

Em entrevista à EBC, Mario Neira Barreto dá detalhes de como remédios do presidente deposto foram adulterados

23/10/2012 – 10h00

O ex-presidente brasileiro João Goulart (1961-1964) morreu, segundo a versão oficial, de um ataque cardíaco em 6 de dezembro de 1976 no município de Corrientes, na Argentina. No entanto, as suspeitas de que Jango, como era popularmente conhecido, tivesse sido morto por agentes da Operação Condor sempre foram levantadas por amigos, familiares e especialistas.

Em recente entrevista à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neira Barreto forneceu detalhes da operação que teria resultado na morte de Goulart. Segundo sua versão, o ex-presidente brasileiro deposto pelo regime militar teria sido morto por envenenamento. Segundo Neira, Jango era considerado uma ameaça pelos militares brasileiros, já que organizava planos para a democratização brasileira.

Em 2008, ele já havia revelado ao jornal Folha de S. Paulo que Jango havia sido morto a pedido de Sérgio Paranhos Fleury, na época delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, com a autorização do então presidente Ernesto Geisel (1974-1979).

A Operação Condor foi uma aliança política entre os regimes ditatoriais da América do Sul durante os anos 1960 para reprimir opositores e eliminar seus líderes. Segundo a EBC, mesmo destituído, Jango era monitorado por agentes no Uruguai, onde se encontrava exilado.

A família de Goulart nunca autorizou uma autópsia. Com base no depoimento de Neira, a família de João Goulart pediu uma investigação ao MPF (Ministério Público Federal). Mas o processo foi arquivado pela Justiça por ter prescrito.

Leia abaixo a transcrição da entrevista de Neira, que está preso desde 2003 na Penintenciária de Charqueada, no Rio Grande do Sul, por contrabando de armas:

“Passei três anos gravando coisas do Jango, pensando em roubar a fazenda dele,o ouro que ele guardava. Mas então eu sou um ladrão fracassado. Por quê? Eu não roubei nada dele, como ladrão ou bandido eu não me dei bem. Foi uma operação muito prolongada que, no princípio, a gente não sabia que tinha como objetivo a morte do presidente Goulart”.

“Por que o Jango foi o perigo de toda essa história e foi decidida sua morte? Porque o Jango era perigoso por aquele jogo de cintura. Era um político que se aliava a qualquer um para conseguir o objetivo de levar o Brasil novamente a uma democracia”.

“Jango era o pivô porque forneceria as passagens, iria aos Estados Unidos e voltaria com toda aquela imprensa a Brasília, [passando] primeiro em Assunção, onde seria o conclave, a reunião de todas as facções políticas do Brasil que se encontravam dispersos e exilados, e ele faria possível essa reunião”.

“Não era bom para o Brasil…não era bom para os militares, para a ditadura. Daí que foi decidido que o Jango deveria morrer”.

“Primeiro se pensou em um veneno. Os remédios [que Goulart tomava por sofrer do coração] viriam da França, foram recebidos na recepção do hotel Liberty. Foi uma araponga que foi colocada nesse hotel, porque os remédios ficavam numa caixa forte verde. Então o empregado (infiltrado) começou a trabalhar e forneceu um lote com várias caixas de comprimido, ele não comprava uma, comprava um lote. Em cada caixa foi colocado um, apenas um comprimido com um composto. Não era um veneno, mas causaria uma parada cardíaca. Eu acho que o veneno coincidentemente, ele tomou aquela noite. Tanto o relato de Dona Maria Teresa (Fontela Goulart, viúva) quanto do capataz da fazenda é que os sintomas que eles relatam encaixam o que acontece. A pressão sobe, baixa constrição dos capilares, ele tem uma morte rápida., tomou o comprimido e já começou a se debater e, em dois minutos, morreu”.

IV Semana de História: Perguntas frequentes

O que é a “Semana de História”?

►A Semana de História (SH) é um evento com duração de uma semana (de segunda a sexta-feira) realizado por iniciativa do corpo discente de História da EFLCH-UNIFESP, com a colaboração dos professores do curso.

Quando normalmente acontece a SH?

►As últimas três edições (2009, 2010 e 2011) da SH ocorreram na primeira semana de Outubro.

Como acontece a SH?

►Em meados do primeiro semestre (abril/maio) uma chamada geral é feita para que a comissão organizadora daquele ano seja formada. Essa chamada é aberta a todos os interessados e a comissão pode ser formada por alunos de qualquer ano do curso de História, inclusive ingressantes. Essa comissão irá definir os moldes daquela SH, desde como será feita a escolha do tema até como se dará a organização, divulgação do evento etc.

Quais são as atividades da SH?

►A programação varia de acordo com o tema escolhido, mas atividades comuns a todas as edições até o momento foram palestras, mesas redondas, minicursos e apresentações de IC (Iniciação Científica). Também já houve lançamentos de livros e manifestações culturais, como apresentações teatrais e exposições.

Qual a diferença entre a IV Semana de História e as edições anteriores?

►Devido às greves discente e docente durante o primeiro semestre de 2012, a realização de uma SH ainda este ano pedia que o próprio formato fosse repensado. A fim de não causar prejuízo aos cronogramas das UCs do curso, cujo calendário está mais apertado, a Comissão sugeriu o formato de um “entreaulas estendido”. Ou seja, em vez de acontecer durante o dia inteiro, como nos anos anteriores (das 13 às 22hs), a IVSH aconteceria entre as 17 e às 20hs. As aulas, dessa forma, seriam mantidas dentro de uma normalidade, com a diferença de que pediríamos aos professores que liberassem os alunos do Vespertino uma hora mais cedo e que permitissem a entrada dos alunos do Noturno em sala às 20hs. A data da realização da SH também muda: em vez de acontecer na primeira semana de Outubro, aconteceria na primeira semana de Novembro, entre os dias 05 e 09.

Qual o tema da IV Semana de História?

►A escolha do tema para esse ano (“O saber e a consciência histórica: tendências e perspectivas”) se deu visando proporcionar um arcabouço teórico-metodológico para que tanto calouros quanto veteranos pudessem participar da discussão dos trabalhos dos alunos, foco dessa edição. A IVSH, assim, teria como diferencial a realização de Simpósios Temáticos que compreenderiam apresentações de Iniciação Científica, Laboratórios de Ensino e Pesquisa, Projetos de Extensão, Estágio Supervisionado, Monografia e Pós-graduação em História. Esses Simpósios, que aconteceriam com exclusividade em dois dias (Terça e Quinta-feira) seriam intercalados por mesas-redondas orientadas pelas seguintes temáticas: “Ensino, pesquisa e extensão” (Segunda-feira), “Tendências historiográficas atuais” (Quarta-feira) e “O ofício do historiador, consciência histórica e função social da História” (Sexta-feira).

Como eu posso apoiar e acompanhar a IV Semana de História?

▪ Curta a nossa página no Facebook (www.facebook.com/ivsemanadehistoriadaunifesp);

▪ Entre em contato com a Comissão Organizadora (semanadahistoriaunifesp@gmail.com);

▪ Participe da enquete sobre os SimpósiosTemáticos, disponíveis nos grupos de História da Unifesp no Facebook:

História Unifesp (http://www.facebook.com/groups/282417561831409)

História DR-Alunos & Professores Unifesp (http://www.facebook.com/groups/269361406502042)

 

E não seja tímid@: vote, comente, faça sugestões e tire possíveis dúvidas! 😉

Atenciosamente,

«Comissão Organizadora da IV Semana de História» Alexandre Queiroz (5º Termo), Amauri Caldeira (5º Termo), Carlos Malagutti (7º Termo), Celeste Baumann (5º Termo), Daniela Santos (7º Termo), Elson Granzoto Jr. (5º Termo), Elson Luiz Mattos (7º Termo), Jonathan Portela (5º Termo), Maurício Dias Duarte (5º Termo), Patrícia Moreira Nogueira (5º Termo), Paula Broda (8º Termo), Philippe Arthur Dos Reis (7º Termo), Talita Sanchez (8º Termo), Tatiane Pieroni (5º Termo), Thaís Geraldini (7º Termo) e Thomaz Barbeiro Gonçalves (7º Termo).

ANPUH: Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX

Resposta à revista VEJA:

Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm.

Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais.

Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História.

Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista. Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado em http://www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo.

A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador.

Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo.

Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

São Paulo, 05 de outubro de 2012

Diretoria da Associação Nacional de História
ANPUH – Brasil
Gestão 2011-2013

Expressão Popular: “O Marxismo de Che” e os 45 anos da morte de Ernesto Guevera

Há 45 anos, nesse mesmo Outubro, em 1967 morria Che Guevara.

Sua vocação revolucionária internacionalista o levou à Cuba, onde contribuiu diretamenta para a consolidação Revolução. Contudo, seu espírito audaz o fez ir também ao Congo e à Bolívia com o objetivo de libertar outros povos.

Capturado por forças reacionárias em Vallegrande, na Bolívia e assassinado em 8 de outubro de 1967. Seus inimigos, organizados, treinados e financiados pelo imperialismo norteamericano não esperaram muito para assassinar o herói e expor seu cadáver como um troféu.

Ao assassinarem um homem, criaram um mito. Um herói, que lutou pela unificação da América Latina sob a bandeira do socialismo.

Viva Che!

Até a vitória!

O MARXISMO DE CHE[1]
Michael Löwy[2]

Fonte: Expressão Popular

Che não foi apenas um heroico guerrilheiro, um lutador que entregou sua vida pela libertação dos povos da América Latina, um dirigente revolucionário que fez algo sem precedentes na história; deixou todos seus cargos para retomar o fuzil contra o imperialismo. Ele foi também um pensador, um homem de reflexão que nunca deixou de ler e escrever, aproveitando qualquer pausa entra duas batalhas para ter à mão caneta e papel. O seu pensamento faz dele um dos mais importantes renovadores do marxismo na América Latina, talvez o mais importante desde José Carlos Mariátegui.

Curiosamente, a maioria das biografias sobre o Che recentemente publicadas não tratam deste aspecto essencial de sua personalidade. Até os autores simpáticos à sua figura não compreendem ou menosprezam sua obra marxista. Por exemplo, no belo livro de Paco Ignacio Taibo II [Ernesto Guevara, também conhecido como Che], os escritos de Che quando da discussão sobre a lei do valor são postos de lado como um “labirinto de citações” inspirado em um “marxismo bíblico”. O jornalista francês Pierre Kalfon considera o brilhante ensaio “O socialismo e o homem em Cuba” como “um amontoado de fórmulas” inspiradas por “um dogmatismo de outros tempos”, isto é, pelo “palavrório marxista tradicional”!

Ora, se se ignora ou se despreza o pensamento de Che, suas ideias, seus valores, sua teoria revolucionária, seu marxismo crítico, como compreender sua coerência de vida, as principais razões de suas atitudes, a inspiração política/moral de sua prática, o fogo sagrado que o movia?

Diferentemente da maioria dos dirigentes da Revolução Cubana, Ernesto Guevara já possuía uma formação marxista antes de aderir ao Movimento 26 de julho, no México, em 1955. Ele descobriu o marxismo não apenas lendo Marx – graças à biblioteca de sua companheira Hilda Gadea e de seu amigo mexicano Orfila Reynal – e Lenin, ou os romances de Nazim Hikmet, Miguel Ángel Asturias e Jorge Icaza, mas também por meio de sua experiência política na Guatemala, quando do golpe contra Arbenz, vítima da CIA, da United Fruit e da traição das forças armadas.

Ele não chegou ao marxismo pela própria experiência revolucionária, mas tratou de, prontamente, decifrá-la recorrendo a referências marxistas, e, dessa forma, foi o primeiro a captar plenamente o significado histórico-social da Revolução Cubana, proclamando, em julho de 1960, que ela “descobriu também, por seus próprios métodos, os caminhos demonstrados por Marx”[3]Porém, algum tempo antes, em abril de 1959, ele já previa o rumo que o processo cubano tomaria depois da queda da ditadura de Batista: trata-se – dizia Che em entrevista a um jornalista chinês – de “um desenvolvimento ininterrupto da revolução”, até abolir “a ordem social existente” e seus “fundamentos econômicos”.[4]

De 1959 até sua morte, o marxismo de Che evoluiu. Ele se distanciou cada vez mais das ilusões iniciais sobre o modelo soviético de socialismo e sobre o estilo soviético – isto é, stalinista – de marxismo. Percebe-se, cada vez mais explicitamente, sobretudo em seus escritos a partir de 1963, a busca de um modelo alternativo, a tentativa de formular outra via ao socialismo, distinta dos paradigmas oficiais do “socialismo realmente existente”. Seu assassinato pelos agentes da CIA e por seus lacaios bolivianos, em outubro de 1967, interrompe um processo de amadurecimento político e de desenvolvimento intelectual autônomo. Sua obra não é um sistema fechado, um modelo acabado que possui resposta a todas às perguntas. Sua reflexão ficou incompleta em várias questões, como, por exemplo, a democracia sob a planificação econômica e a luta contra a burocracia.

O marxismo de Che se distingue das variantes dominantes em sua época; é um marxismo antidogmático, ético, pluralista, humanista, revolucionário. Alguns exemplos nos permitem ilustrar estas características.

            Antidogmático: Marx, para Che, não era um papa ungido pelo dom da infalibilidade. Em suas “Notas para estudo da ideologia da Revolução Cubana” (1960), ele ressalta: mesmo sendo um gigante do pensamento, o autor d’O capital cometeu erros que podem e devem ser criticados. Por exemplo, no que toca à América Latina, sua interpretação de Bolívar ou a análise sobre o México que realiza junto com Engels, “em que admite determinadas teorias sobre raças ou nacionalidades que são hoje inadmissíveis”.[5]

Entretanto, os fenômenos de dogmatização burocrática do marxismo no século XX são mais graves que os equívocos de Marx; em várias oportunidades, Guevara se queixou da “escolástica que freou o desenvolvimento da filosofia marxista” – uma evidente referência ao stalinismo – e que impediu sistematicamente, inclusive, o estudo do período de construção do socialismo.[6]

Ético: A ação revolucionária é inseparável de certos valores éticos. Um dos exemplos é o trato aos prisioneiros da guerrilha: “A clemência mais absoluta o possível com os soldados que combatem cumprindo, ou que creem cumprir, seu dever militar (…) Os sobreviventes devem ser postos em liberdade. Os feridos devem receber cuidados utilizando todos os recursos disponíveis”.[7]Um incidente da batalha de Santa Clara ilustra o comportamento de Che: em resposta a um companheiro que propôs a execução de um tenente do exército, feito prisioneiro, diz Guevara: “Você acha que somos iguais a eles?”[8]

A construção do socialismo também é inseparável de determinados valores éticos, diferentemente do que advogam as concepções economicistas – de Stalin a Charles Bettelheim – que levam em conta apenas “o desenvolvimento das forças produtivas”. Em sua famosa entrevista ao jornalista Jean Daniel (julho de 1963), Che defendia, no que já se constituía uma crítica implícita ao “socialismo real”, que: “O socialismo econômico sem a moral comunista não me interessa. Lutamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo contra a alienação (…). Se o comunismo desconsidera os fatos da consciência, poderá ser um método de distribuição, mas não se constitui como uma moral revolucionária.[9]

Pluralista: Apesar de Che não ter formulado uma concepção acabada da democracia socialista, ele defendia a liberdade de debate no campo revolucionário e o respeito à pluralidade de opiniões. O exemplo mais marcante é sua resposta – em um informe de 1964 a seus companheiros do Ministério da Indústria – à crítica de “trotskismo” feita a ele por alguns soviéticos: “Com relação a isso, creio que ou temos a capacidade de destruir com argumentos a opinião contrária ou devemos deixá-la se expressar (… ). Não se pode destruir uma opinião por meio da força, pois isso interrompe todo livre desenvolvimento da inteligência. Além disso, há uma série de aspectos do pensamento de Trotsky que pode ser levada em conta, ainda que, como acredito, ele tenha se equivocado em seus conceitos fundamentais e sua ação posterior tenha sido errônea (…)”[10]

            Revolucionário: Na América latina, durante anos e décadas, o marxismo serviu como justificativa a uma política reformista de subordinação do movimento operário à aliança com uma suposta “burguesia nacional”, com vistas a uma suposta “revolução democrática, nacional e antifeudal” ([Victorio] Codovilla, para mencionar apenas um nome simbólico de todo um sistema político de corte stalinista). Em sua “Mensagem à tricontinental” (1966), Guevara cortou o nó górdio que atava pés e mãos dos explorados: “As burguesias autóctones perderam toda sua capacidade de oposição ao imperialismo – se alguma vez a tiveram – e constituem apenas sua retaguarda. Não há mais mudanças a serem feitas: ou revolução socialista ou a caricatura de revolução”[11]

Todos os escritos e discursos marxistas de Che, de 1959 até sua morte, seja sobre a realidade latino-americana, sobre a guerra de guerrilhas, sobre a luta internacional contra o imperialismo, sobre os problemas econômicos de Cuba, possuem um objetivo central, concreto e urgente: a transformação revolucionária da sociedade.

Insistiu-se muito sobre a teoria do foco guerrilheiro nos escritos de Che. Mas ele sabia que a revolução social é uma tarefa não apenas de uma – indispensável – vanguarda, mas das grandes maiorias: são “as massas (as que) fazem a história como um conjunto consciente de indivíduos que lutam por uma mesma causa (…) que lutam para sair do reino da necessidade e passar ao reino da liberdade”.[12]

Humanista: A leitura de Marx feita por Che é totalmente distinta da vulgata estruturalista, “anti-humanista teórica”, althusseriana, que tanto se difundiu na América Latina nos anos 1960-1970. Referindo-se ao Capital, ele escreve: “O peso deste monumento da inteligência humana é tal que nos fez, frequentemente, esquecer o caráter humanista (no melhor sentido da palavra) de suas inquietudes.

A crítica ao capitalismo – sociedade na qual “o homem é o lobo do homem” –, a reflexão sobre a transição ao socialismo, a utopia comunista de um homem novo: todos os temas centrais da obra marxista de Che têm fundamento no humanismo revolucionário. Sua formulação mais profunda, mais original e mais pessoal está no ensaio “O socialismo e o homem em Cuba” (1965): “Deixe-me dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”. Sem o amor aos povos, o amor à humanidade, sem estes sentimentos generosos “é impossível pensar num revolucionário autêntico”.[13]

A expressão concreta, prática, ativa do humanismo revolucionário é o internacionalismo. Em uma conversa com jovens comunistas, em 1962, Guevara insistia que o revolucionário deve “sempre se colocar os grandes problemas da humanidade como problemas próprios”, isto é, “deve se sentir angustiado quando, algum canto do mundo, um homem é assassinado, e até o ponto de se sentir entusiasmado quando, em algum canto do mundo, se levanta uma nova bandeira de liberdade”.[14] Para além de seus erros táticos, ou mesmo estratégicos, o compromisso pessoal de Che com a revolução no Congo e na Bolívia, arriscando sua vida, é a tradução destas palavras em atos.

O mundo – e a América Latina – passaram por muitas transformações nos últimos 30 anos. Não se trata de olhar para trás e procurar, nos escritos de Che, a resposta a todos nossos problemas atuais. Mas é fato que os povos continuam, hoje como ontem, sob a dominação do imperialismo; que o capitalismo, em sua forma neoliberal, continua produzindo os mesmos efeitos: injustiça social, opressão, desemprego, pobreza, mercantilização dos espíritos. O que é ainda pior: o capital financeiro multinacional nunca exerceu um poder tão aplastante, tão sombrio sobre todo o planeta. O capitalismo nunca conseguiu, como o faz agora, afogar todos os sentimentos humanos nas “águas glaciais do cálculo egoísta”. Por isso, necessitamos, hoje mais que nunca, do marxismo do Che, de um marxismo antidogmático, ético, pluralista, revolucionário, humanista.

No século XXI, quando os ideólogos neoliberais – que ocupam hoje a cena política e cultural – já estiverem esquecidos, as novas gerações ainda se recordarão do Che, e sua estrela continuará iluminando a luta da humanidade por sua emancipação.

Morre aos 95 anos em Londres o historiador Eric Hobsbawm

“A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca…”

Uma perda inestimável. É isso que representa o fim da trajetória de um indivíduo que contribuiu imensamente para a compreensão de nosso mundo, em nosso tempo. Hobsbawm que acompanhou grande parte dos grandes acontecimentos do século XX, conseguiu, de modo singular e analisar esses fatos de modo brilhante faleceu hoje.

Hobsbawm até o fim de sua vida continuava compreendendo a teoria Marxista como chave para compreensão do mundo em que vivemos. Em sua última obra “Como mudar o mundo: Marx e o Marxismo”, este grande historiador apresenta ao mundo que, apesar da queda da URSS, simbolizada pela queda do muro de Berlim, o marxismo ainda se mostra atual e capaz de transformar o mundo.

Uma perda para a História. Mas que se eternizou por conta de suas obras, definitivas para o mundo contemporâneo.

“Acredito ser o marxismo uma abordagem muito melhor da história porque está mais visivelmente atento do que as outras abordagens àquilo que os seres humanos podem fazer enquanto sujeitos e produtores da história, bem como àquilo que, enquanto objetos, não podem.”

O historiador britânico Eric Hobsbawm morreu nesta segunda-feira (1º) aos 95 anos no hospital Royal Free de Londres, informou sua família. Ele sofria de pneumonia.

Fonte: G1

Sua filha, Julia Hobsbawm, disse que “Ele morreu de pneumonia nas primeiras horas da manhã em Londres”. “Ele fará falta não apenas para sua esposa há 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também por seus milhares de leitores e estudantes ao redor do mundo”, disse. “Até o fim, ele estava se esforçando ao máximo, ele estava se atualizando, havia uma pilha de jornais em sua cama”, completou a filha.

O intelectual marxista é considerado um dos maiores historiadores do século XX e escreveu “A era das revoluções”, “A era do capital”, “A era dos impérios”, “Era dos extremos”, entre outras obras. Ele também era um entusiasta e crítico do jazz, escrevendo resenhas para jornais sobre o gênero musical e publicando o livro “História social do jazz”.

Trajetória
Eric John Ernest Hobsbawm nasceu de uma família judia em Alexandria, Egito, em 9 de junho de 1917. Seu pai era britânico, descendente de artesãos da Polônia e Rússia, e a família de sua mãe era da classe média austríaca.

Hobsbawn cresceu em Viena, Áustria, e em Berlim, Alemanha.

Quando era estudante na Alemanha, ele informou o diretor da escola que ele era comunista e argumentou que o país precisava de uma revolução.

“Ele me fez umas perguntas e disse ‘Você claramente não faz ideia do que está falando. Faça o favor de ir à biblioteca e veja o que consegue descobrir'”, disse em uma entrevista à BBC em 2012. “E então eu descobri o Manifesto Comunista [de Karl Marx] e foi isso”, relatou, indicando o começo de sua formação marxista.

Em 1933, quando Hitler começava a subir no poder na Alemanha, Hobsbawm foi para Londres, Inglaterra, onde obteve cidadania britânica.

O historiador se filiou ao Partido Comunista da Inglaterra em 1936 e continuou membro da legenda mesmo após o ataque das forças soviéticas à Hungria em 1956 e as reformas liberais de Praga em 1968, embora tenha criticado os dois eventos. O ex-líder do Partido Neil Kinnock chegou a chamar Hobsbawm de “meu marxista predileto”

Anos depois ele disse que “nunca havia tentado diminuir as coisas terríveis que haviam acontecido na Rússia”, mas que acreditava que no início do projeto comunista um novo mundo estava nascendo.

Durante a II Guerra Mundial, Hobsbawm foi alocado a uma unidade de engenharia que a presentou a ele, pela primeira vez, a classe proletária. “Eu não sabia muito sobre a classe proletária britânica, apesar de ser comunista. Mas, vivendo e trabalhando com eles, pensei que eram boas pessoas”, disse à BBC em 1995.

O historiador aprovou neles a “solidariedade, e um sentimento muito forte de classe, um sentimento de pertencer junto, de não querer que ninguém os derrubasse”.

Vida acadêmica
Hobsbawm estudou no King’s College de Londres e começou a dar aula na Universidade de Birkbeck em 1947, mais tarde tornando-se reitor da instituição. Ele também passou temporadas como professor convidado nos Estados Unidos e lecionou na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel.

Em 1998, ele recebeu o título de Companhia de Honra. O prêmio, raramente concedido a historiadores, o colocou ao lado de ilustres como Stephen Hawking, Doris Lessing and Sir Ian McKellan.

Seu colega historiador A.J.P. Taylor, morto em 1990, disse que o trabalho de Hobsbawm se destacava pelas explicações precisas dos acontecimentos pelo interesse em pessoas comuns.

“A maior parte dos historiadores, por uma espécie de mal da profissão, se interessa somente pelas classes mais altas e pressupõem que eles mesmos fariam parte destes privilegiados se tivessem vivido um século ou dois atrás – uma possibilidade muito remota”, escreveu Taylor. “A lealdade do Sr. Hobsbawm está firmemente do outro lado das barricadas”, disse.

Eric Hobsbawm durante uma feira do livro em Leipzig, em 1999 (Foto: Eckehard Schulz/AP)

Obras
O primeiro livro de Hobsbawm, “Rebeldes primitivos”, publicado em 1959, é um estudo dos que ele chamava de “agitadores sociais pré-políticos”, incluindo ligas de camponeses sicilianos e gangues e bandidos metropolitanos, um exemplo de seu interesse pela história das organizações da classe trabalhadora.

Em 1962, ele publicou o primeiro de três volumes sobre o que chamou de “o longo século XIX”, cobrindo o período entre 1789, ano da Revolução Francesa, e 1914, começo da I Guerra Mundial. O volume seguinte, “Era dos extremos”, retratou a história até 1991, o fim da União Soviética, foi traduzido para quase 40 línguas e recebeu muitos prêmios internacionais.

No mesmo ano, ele escreveu uma obra sobre jazz e começou a colaborar como crítico para a revista “New Statesman” usando o pseudônimo Francis Newton, em homenagem ao trompetista comunista de Billie Holiday.

Suas memórias, que foram best-seller, elencaram os momentos cruciais na história europeia moderna nos quais ele viveu.

Seu último livro é “Como mudar o mundo”, de 2011, e é um compilado de textos escritos desde a década de 1960 sobre Karl Marx e o marxismo.

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, ele tem um livro em revisão a ser publicado em 2013.

Ele veio ao Brasil em 2003 participar da primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), evento do qual foi estrela.

O historiador britânico Eric Hobsbawm posa durante a primeira edição da Flip, em 2003; ele foi considerado a estrela daquela edição  (Foto: Divulgação)
O historiador britânico Eric Hobsbawm posa durante a primeira edição da Flip, em 2003; ele foi considerado a estrela daquela edição (Foto: Divulgação)

Folha de São Paulo: Justiça manda retificar a causa da morte de Herzog

24/09/2012 – Eduardo Geraque
Fonte: A Folha de S. Paulo

A certidão de óbito do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) será alterada. Por decisão judicial, divulgada ontem, a causa do óbito terá uma nova explicação.

Em vez de suicídio, estará escrito: “A morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II-Exército – SP (DOI-Codi)”.

O juiz Márcio Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos de São Paulo, acatou um pedido da viúva de Herzog, Clarice, e da Comissão da Verdade.

É o primeiro resultado prático obtido pelo grupo formado pela presidente Dilma Rousseff, que se reuniu ontem, em São Paulo.

Instituto Vladimir Herzog
Vladimir Herzog na redação, em 1966
Vladimir Herzog na redação, em 1966

O juiz, em sua sentença, afirma que não acatar o pedido de mudança é “prolongar o martírio da viúva e dos familiares e afrontar a consciência pública nacional”.

No dia 25 de outubro de 1975, Vladimir Herzog morreu após uma sessão de tortura. Ele compareceu de forma espontânea à sede do DOI-Codi, na rua Tutóia, no bairro do Paraíso (zona sul).

Os agentes repressores, depois da morte do jornalista, armaram a cena para simular um suicídio. Uma nota oficial do Exército, emitida logo após a morte, confirmou, na época, que o próprio Herzog havia dado fim a sua vida.

O episódio virou um símbolo na luta contra a ditadura. Em 31 de outubro de 1975, 8.000 pessoas se reuniram na praça da Sé, centro de São Paulo, em um ato ecumênico para lembrar a morte.

OUTROS CASOS

Para a Comissão da Verdade, a mudança oficial da certidão de óbito tem um peso simbólico muito importante.

O objetivo é fazer o mesmo para outras dezenas de casos, desde que o pedido parta da família dos desaparecidos e mortos políticos. O problema, muitas vezes, é obter provas jurídicas que levem a Justiça a tomar a mesma decisão dada para o caso Herzog.

O colegiado tem sete membros, que foram escolhidos pelo governo federal em maio. O grupo tem poder para investigar as violações aos direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988.

As investigações atingem apenas atos de agentes do Estado, ou que estavam a serviço dele –o que gerou reclamação dos militares.

Para José Carlos Dias, ex-ministro e integrante da comissão, é preciso “fechar a biografia das vítimas e registrar como o aparelho repressivo estatal agiu”.

A “Folha de São Paulo”, o mesmo periódico que tanto contribuiu com a manutenção da ditadura e do Estado de Terror no Brasil, divulgou esta notícia hoje. O mesmo jornal que questiona a violência de Estado daquele período e que ainda hoje defende interesses repugnantes. Mas hoje em suas sórdidas páginas uma boa notícia. Demos mais um passo em direção à justiça.

Foi decretada a revisão da causa da morte do Jornalista Vladimir Herzog, ex-diretor da TV Cultura condenado à tortura e morte nos porões da ditadura.

O novo texto dirá “A morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II-Exército – SP (DOI-Codi)“, um eufemismo de sua verdade, mais um eufemismo em nossa (triste) história. O reconhecimento da real causa da morte de Vladimir Herzog é um avanço, ainda simbólico, mas um avanço. Esse reconhecimento é uma parte da justiça. Ainda nos resta poder conhecer e punir todos torturadores e assassinos da Ditadura.

Henfil, um dos maiores cartunistas do Brasil, há mais de 20 anos fez uma http://www.revistadehistoria.com.br/uploads/docs/images/images/Vlado!%20Saiu%20a%20Anistia%20ok.jpg
charge que parece se tornar mais verdadeira a partir de hoje.

Vlado foi torturado e assassinado.

Não esqueceremos!

Viva Herzog!

A luta continua!

Carta Capital: Em decisão inédita, tribunal reconhece militar como torturador

Piero Locatelli
Fonte: Carta Capital
14 /08/2012 às 14h59

O coronel reformado Carlos Alberto Ustra, ex-comandante do Doi-Codi de SP. Foto: Sergio Dutti/AE

Pela primeira vez na história da Justiça brasileira, um órgão colegiado reconheceu os crimes de um agente da ditadura. Nesta terça-feira 14, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a responsabilização do coronel reformado do Exército Carlos Brilhante Ustra, ex-comandante do Doi-Codi paulista, pelas torturas sofridas por três integrantes da família Teles entre 1972 e 1973. Com a decisão, a tortura no Brasil passa agora a ter rosto, nome e sobrenome – e abre possibilidade para que novas ações sejam tomadas nesta direção, como lembrou o jurista Pedro Serrano (clique AQUI para ler)

Até então, medidas semelhamtes só haviam sido tomadas em decisões isoladas de juízes de primeira instância e eram  derrotadas nos tribunais superiores.

Trata-se de uma ação declaratória, sem pedido de indenização. Ou seja: a família vítima de tortura pedia apenas que a Justiça reconhecesse o ex-militar como torturador. Há quatro anos, o juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível, já havia responsabilizado Ustra pelos crimes. Nesta terça-feira, os desembargadores da 1ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP julgaram a apelação e mantiveram a decisão da primeira instância. Ainda cabe recurso à decisão no Supremo Tribunal Federal ou no Supremo Tribunal de Justiça.

Ustra chefiou o DOI-Codi, órgão da repressão, entre outubro de 1969 e dezembro de 1973. Maria Amélia Teles e seu marido, César Augusto Teles, foram torturados pelos agentes da ditadura após serem presos em 1972.

“A justiça brasileira chegou a essa decisão justamente quando está fazendo 40 anos que eu e minha famílias fomos torturados”, diz Amélia. “Faz sete anos que entramos com a ação, e nesse tempo a Justiça avançou. O tribunal mostrou que é intolerável a sociedade conviver com a total impunidade dos crimes cometidos pela ditadura”.

“Eu acho que a humilhação de ter sido torturado e a tristeza de ter familiares mortos sob torturas é uma impressão que não se apaga. Mas essa sentença veio reparar a dignidade do Estado brasileiro que estava numa situação de desonra universal”, disse ao final do julgamento o advogado da família Teles, Fábio Konder Comparato.

 

10 de agosto: Torquemada – 17 Balas

A ocupação do campus é uma pauta que todos os setores da Universidade acreditam ser urgente. Que o espaço da Universidade seja aberto, público e utilizado por toda a comunidade. Seja para aulas, assembleias, debates, cultura! Neste sentido compreendemos de grande importância as atividades que acontecem no Teatro da Prefeitura, localizado no campus Guarulhos da Unifesp.

Sendo assim convidamos a todos e todas para assistirem a peça Torquemada17, que, não só contribui para a difusão cultural no Bairro, mas também trás um profundo debate sobre um dos períodos mais obscuros de nossa História, a Ditadura Civil-Militar. Além disso, diante do momento em que vivemos, com a constituição da Comissão da Verdade, é urgente também a apropriação da sociedade sobre esta temática.

O enredo costura o passado e o presente, relacionando o “abuso” nos dias de hoje nas periferias com a impunidade do regime militar e um resquício de uma forma de pensamento presentes desde os tempos de Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol; a entrada é gratuita. (Guarulhos Notícias)

“Torquemada – 17 Balas” é uma releitura do texto “Torquemada” de Augusto Boal, refere-se à repressão policial, à violência do Estado, à impunidade e ao autoritarismo que se faz presente ainda hoje, fruto da história da sociedade brasileira e recorrente na história da humanidade.

No espetáculo, após pronunciamento de Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol da idade média, o público acompanha o relato descrito por Boal sobre a tortura que sofreu no período do regime militar e a leitura de parte de seu processo criminal de 1971.

A peça segue para a atualidade e um jovem toma o lugar do “subversivo” da época, em uma jornada de acontecimentos pelos subterrâneos da violência atual nas periferias.

Na dramaturgia proposta, as falas dos torturadores do passado estão presentes naqueles que violam os direitos humanos nos dias de hoje, trazendo à memória os “anos de chumbo” e sua influência na atualidade.

O enredo é costurado por músicas compostas coletivamente pelo grupo, que garantem também momentos de descontração à peça. Ao final do espetáculo, o público é convidado a entrar em cena em busca de alternativas para o conflito apresentado. Inicia-se a sessão de Teatro Fórum.

Amanhã 10/08 às 19h no Teatro Adamastor Pimentas
(retirada de ingressos 1h antes)

http://www.torquemada.art.br

torquemada17balas

COMISSÃO DE ANISTIA

O presente projeto foi apresentado no ano de 2011 à II Chamada Pública do Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e selecionado por Comitê independente para fomento.

A realização do projeto objetiva atender as missões legais da Comissão de Anistia de promover o direito à reparação, memória e verdade, permitindo que a sociedade civil e os anistiados políticos concretizem seus projetos de memória.

Por essa razão, as opiniões e dados contidos na publicação são de responsabilidade de seus organizadores e autores, e não traduzem opiniões do Governo Federal, exceto quando expresso em contrário.

14 DE AGOSTO: Ato contra recurso do Ustra e apoio à família Teles

JULGAMENTO DO RECURSO DO CORONEL USTRA
CONTRA A FAMÍLIA TELES ADIADO PARA DIA 14 DE AGOSTO

“…o que está em jogo é a dignidade do Estado brasileiro
diante da opinião pública nacional e internacional.”

Fábio Konder Comparato

 

Dia 14 de agosto, terça-feira, a partir das 12 hs, em frente ao Tribunal de Justiça, Praça Clovis (ao lado da Praça da Sé), ato pela confirmação da sentença favorável à Família Teles

Após a decisão histórica em primeira instância do juiz Teodoro Santini, da 23ª Vara Cível, em 2008, declarando o Coronel Brilhante Ustra como torturador da Família Teles, estamos diante do julgamento do recurso impetrado pelo coronel na segunda instância. Cabe aos desembargadores do Tribunal de Justiça confirmar a sentença ou absolver o torturador.

O julgamento, que estava marcado para dia 7, foi adiado pelos próprios desembargadores para o dia 14.

Ustra foi comandante do DOI-CODI-SP (OBAN) de outubro de 1969 a dezembro de 1973. Ali comandou ações de sequestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos de corpos de opositores da Ditadura Militar.

Condenar o Ustra não significa simplesmente condenar aquele indivíduo. Significa responsabiilzar a ele e ao Estado que ele representava por suas ações durante a Ditadura Civil-Militar. Será um grande avanço na luta por justiça uma vez que as atrocidades cometidas serão reconhecidas na esfera jurídica.

Que possamos um dia alcançar a justiça, nos reconcialiar com nosso passado e construir um futuro de liberdade!

Convidamos todas e todos a participarem do ato em apoio à decisão da primeira instância.

Data: 14 de agosto (Terça-feira) à partir das 12h
Local: Em frente ao Tribunal de Justiça, Praça Clovis (ao lado da Praça da Sé)