49 anos do Golpe Militar no Brasil

Há 49 anos, na madrugada de 31 de março para 01 de abril de 1964 iniciaram-se as ações que implantaram no país um Estado de ditaduranuncamaisExceção. Militares articulados com grupos conservadores civis tomaram o poder e assim findaram-se direitos e liberdades; quando práticas autoritárias de violência passaram a ser cotidianas.

Há 49 anos se iniciava no Brasil um período de terror. Em 01 de abril de 1964 o Brasil via o então presidente João Goulart ser deposto e os militares disfarçados sob um discurso de ordem, de progresso, tomar à força o poder. Um curto período de desenvolvimento baseado em dívidas com o capital internacional ocultavam os cadáveres de quem exigia direitos. Curto período de crescimento para uma parcela mais rica da sociedade, aumentando ainda mais o poder econômico de quem já era da elite. E a promessa era sempre de que as pessoas precisavam ficar mais ricas, para depois repassar o crescimento econômico para as outras classes. Mas esse bolo nunca foi repartido.

Pessoas que queriam continuar exercendo o direito básico de se manifestar sofreram torturas terríveis; pessoas que ousaram se indignar foram mortas. Espaços democráticos de luta e manifestação como Centros Acadêmicos, Sindicatos, Associações e Partidos foram fechados; o pensamento foi cerceado e a resistência foi combatida com autoritarismo e violência desenfreada.

Mesmo assim não foi possível calar todas as vozes. Em meio a tanto terror, pessoas continuaram lutando das mais diversas formas; quer seja com armas na mão, quer seja mantendo suas atividades cotidianas. E, por lutarem, continuaram a sofrer, há quem tenha morrido vitima da repressão e nunca conquistado a justiça em seu favor para punir os autores. Há quem desapareceu e a dor de seus familiares nunca foi saciada com o justo destino digno de seus corpos.

Passados tantos anos, hoje estamos de volta à “democracia”. Mas o que se percebe é que ainda há muitas “heranças” deste tempo sombrio. A desqualificação da luta política, a criminalização de movimentos sociais (inclusive o movimento estudantil), a criminalização da pobreza, o estado militarizado, a instituição da tortura, o sucateamento da educação, entre outras.

A luta pela memória dessa História recente do nosso país vai muito além da reparação aos familiares de mortos e a busca por informação de desaparecidos políticos, é também uma luta para erradicar da sociedade os ranços deste Estado de Exceção que permanecem em nosso cotidiano.

E, como se não bastasse tal luta para reconstruir uma democracia verdadeira, ainda hoje percebemos vários tipos de homenagem da “democracia” aos tempos de tirania. Clubes militares, comandos policiais e outras instituições ainda hoje reivindicam aquele ataque à humanidade como “Revolução”. Ou ainda nomes de logradouros que carregam o nome daqueles que comandaram e participaram das mais perversas ações criminosas, contra homens, mulheres, crianças, preenchendo nossa memória com indivíduos e práticas que deveriam ter sido expurgadas da sociedade. E quando manifestações buscam confrontar essas ideias continuam sendo repreendidos com a mesma violência presente naqueles “anos de chumbo”.

Dessa forma, percebemos que a disputa pela memória da Ditadura Civil-Militar é uma luta que devemos empreender no nosso dia-a-dia, desvelando as pequenas ações e hábitos que ainda nos fazem viver em um ambiente autoritário travestido de democracia.

Propomos por este manifesto uma tomada de consciência da importância desta luta e da necessidade de cada vez mais pessoas aderirem a ela. Uma luta que deve ser feita não apenas pelos historiadores e historiadoras, mas sim empreendida por todos os cidadãos e cidadãs para restaurar um passado que é nosso, reconstruir a memória sobre essa história e com isso atuar no presente para construir um futuro em que as pessoas possam viver sem o medo cotidiano da repressão, da tortura e da morte.

Repudiamos duramente qualquer comemoração em homenagem aos dias de terror. Seja por festas promovidas por associações militares, seja manifestação pública, ou pelos comentários asquerosos daqueles que sonham em voltar à Ditadura!

POR UMA COMISSÃO DA VERDADE QUE LUTE POR JUSTIÇA

PELO DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA

 PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS POPULARES

PRA NÃO ESQUECERMOS JAMAIS

DITADURA NUNCA MAIS!

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