Nota do CAHIS UNIFESP contra o Projeto de Lei que enaltece crimes da PM

Recentemente o ex-coronel da Rota e vereador do PSDB em São Paulo, Paulo Telhada, conseguiu a aprovação de um projeto na Câmara Municipal que visa “enaltecer as campanhas de guerra da Rota”, inclusive realizando homenagens à campanha conhecida como “Boinas Negras”, que atuou durante a Ditadura Civil-Militar e foi responsável, entre outros atos, pela morte de Carlos Marighella e Carlos Lamarca.

Além disso, parte do texto que exalta a ação do batalhão diz que “os remanescentes e seguidores de Lamarca e Marighella continuam a implantar o pânico, a intranquilidade e a insegurança na Capital e na Grande São Paulo”.

Tais afirmações tem o intuito de traçar um paralelo entre as ações de resistência empreendida por tantas e tantos lutadores que não se calaram diante das atrocidades da Ditadura com os níveis atuais de violência enfrentados nas grandes cidades como São Paulo atualmente.

Caso seja possível traçar esse paralelo ele deve ser feito de outra forma. A Ditadura civil-militar não foi apenas um governo que minou as liberdades individuais dos cidadãos, não foi apenas um regime que matou e torturou quem não concordava com a falta de democracia e com o Golpe imposto na noite de 31 de Março para 01 de abril de 1964. Essa Ditadura foi responsável direta por elevar ainda mais os já altos índices de desigualdade social existentes no Brasil. Foi responsável por projetos de educação elitista, de exclusão escolar para as camadas mais baixas da sociedade e por privatização de vários setores essenciais para a sociedade, como a saúde e a moradia, por exemplo.

Esses fatores de exclusão social são diretamente responsáveis pelo crescimento da criminalidade em grandes centros urbanos e é de inteira responsabilidade do Estado que não só é omisso na sua obrigação de cuidar de toda a cidadã e todo cidadão como também foi responsável por fazer com que o rico ficasse ainda mais rico enquanto que o pobre chegasse em situações extremas de pobreza.

Portanto não seremos coniventes com nenhuma tentativa de exaltação de uma corporação que foi criada com o único intuito de garantir o status quo; de garantir que esse projeto de favorecimento das elites fosse levado a cabo. Não há nada para se exaltar em uma corporação que é a arma do Estado para reprimir a classe trabalhadora, que foi abandonada pelo Estado desde sempre, que sofreram ainda mais durante a Ditadura civil-militar e que continuam esquecidas.

Repudiamos toda e qualquer tentativa de manipulação da memória; uma Ditadura que matou, oprimiu, torturou e aumentou a desigualdade social só deve servir de exemplo para que isso nunca mais aconteça.

LAMARCA, PRESENTE!

MARIGHELLA, PRESENTE!

TORTURA NUNCA MAIS!

PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!

PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!

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