Carta em repúdio à opressão e agressão de mulheres no campus Guarulhos

Guarulhos, 28 de novembro de 2012

Com apenas seis anos de existência, o campus Guarulhos e seus discentes já presenciaram inúmeras manifestações de machismo e opressão de diversas naturezas. A última relatada de sexta-feira (23/11) foi acompanhada por alguns alunos e funcionários que preferiram a omissão – ou resignação – à tomada de atitude.

Em 2008, durante uma assembleia no campus São Paulo, uma estudante de Guarulhos que pediu a fala, foi vítima de assédio e comentários machistas por estudantes de Medicina, membros da Atlética da EPM. No mesmo ano, a referida Atlética ganhou  repercussão negativa na grande mídia, ao retratar órgãos sexuais femininos como hambúrgueres, além de piadas sexistas e racistas. Neste ano, 2012, um aluno do campus Guarulhos chamou uma estudante de “vadia” durante uma discussão em meio de uma assembleia, um número expressivo de pessoas mostrou indignação ao fato ocorrido. Em comum, as manifestações de opressão partiram de setores que, de uma forma ou de outra, se opuseram às mobilizações – e foram então objeto de repúdio por parte do movimento estudantil.

A agressão cometida pelo discente Laerte Cameschi, dois dias antes do “Dia Internacional de Luta contra a violência à mulher” (25 de novembro), entrou na última semana para a série de episódios já ocorridos na história de nossa instituição. Em muitos comentários é levantada a questão de que o estudante participa do Movimento Estudantil do campus. Algumas questões devem, então, ser levantadas: em primeiro lugar, o movimento estudantil tem muitas formas, divergências e muitos adeptos, nem todos partilham dos mesmos métodos e ideias; em segundo lugar, o fato de um estudante ter um envolvimento político não faz dele, infelizmente e definitivamente, um feminista. Pelo contrário, é sabido por todos que o respeito às mulheres assim como a gays, lésbicas, negros e outros grupos denominados por “minorias” não se dá por opção política. O triste acontecimento da última sexta deflagra uma prática comum dentro da esquerda… E também da direita, e uma prática comum dentro do campus que, apesar de ainda recente, já conta com um infeliz histórico em relação à opressão de mulheres.

Ainda temos bastante dificuldade de, para além das “situações-limite”, compreender e combater a opressão que está enraizada culturalmente fortemente internalizada. Constantemente, cotidianamente, reproduzimos práticas e padrões que reafirmam uma opressão secular – o número de falas de homens em uma assembleia e mesas acadêmicas; maneiras que nos vestimos e exigirmos padrões e posturas de discentes e funcionários; tratamentos jocosos e desrespeitosos, por vezes dados como “inocentes”; e foi com muito custo que se inseriu a norma, via CONSU, do direito a tratamento pelo nome social a transgêneros.

Nós do Centro Acadêmico de História acreditamos que o fato não seja isolado, mas parte de uma quase tradição dentro do nosso ambiente acadêmico. Da mesma forma, acreditamos que nem todas as tradições devem ser mantidas e, portanto, exigimos, assim como outros grupos já fizeram, pronunciamento e solução a esse respeito por parte das instâncias oficiais da universidade. Enquanto isso, repudiamos o acontecimento e nos colocamos a disposição da estudante agredida e a parabenizamos por sua coragem em denunciar.

Centro Acadêmico de História
Gestão “Levanta que lá vem História”

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Um comentário sobre “Carta em repúdio à opressão e agressão de mulheres no campus Guarulhos

  1. Sobre a agressão ocorrida com a estudante de Ciências Sociais UNIFESP

    Não conheço nenhum dos envolvidos, APENAS presenciei o ato e as revoltas, protestos, boatos que circularam diante da universidade. Sim, estamos numa UNIVERSIDADE, onde o que ocorreu foi inadmissível, porém, sob um olhar crítico, foi uma situação totalmente passional, onde o acontecimento só diz respeito aos envolvidos, uma vez que o que aconteceu foi decorrente do relacionamento de ambos. O que eu vi e presenciei foi o rapaz xingando a moça, e ela reagindo com um tapa na cara dele, em decorrência disso o rapaz revidou o tapa. AMBOS ERRARAM, AMOS SE DESRESPEITARAM. Desculpa universitários, mas venho de uma educação onde meus pais SEMPRE me ensinaram a RESPEITAR O PRÓXIMO, RESPEITAR O SER HUMANO, INDEPENDENTE DE SER HOMEM, MULHER, HOMOSSEXUAL, RICO, POBRE, NEGRO, BRANCO, O RESPEITO DEVE EXISTIR ENTRE TODOS! Agora eu pergunto, que PORRA de direitos iguais são esses em que o homem pode ser chamado de filho da puta, pode ser agredido? Acho que é inadmissível que isso aconteça COM QUALQUER PESSOA, ISSO NÃO DEVE SER ACEITO, tão menos o cara que TAMBÉM ERROU E TAMBÉM FOI AGREDIDO ser levado como uma cruz. VIOLÊNCIA NÃO SE COMBATE COM VIOLÊNCIA, E ESSA TAL DE VIOLÊNCIA NÃO PRECISA SER NECESSARIAMENTE FÍSICA, A PSICOLOGICA QUE MUITOS ESTUDANTES AQUI FIZERAM TAMBÉM É VÁLIDA. Então o que fazer nesse caso? Ter um olhar mais crítico sobre a situação, ir atrás dos fatos que realmente aconteceram, não alimentar boatos absurdos, entender que, NESSA SITUAÇÃO, ambos os envolvidos erraram, ambos os envolvidos se agrediram e o que aconteceu entre eles, no relacionamento deles, só diz respeito a eles, a mais ninguém! E antes que alguém me julgue machista ou o caralho a quatro, RESPEITO DEVE EXISTIR ENTRE TODAS AS PESSOAS! Essa é a minha visão, minha opinião, você pode concordar ou nao, pode entender ou não, ou entender tudo errado como a maioria das postagens que acontecem nesse grupo. E no final das contas “o agressor” virou quase uma Geisy Arruda da UNIFESP!
    Também estou aberto a ouvir a opinião de vocês, a participar dos debates contra violência e afins.

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