Fleury é escrachado nos 20 anos do Massacre do Carandirú

Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo…
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!
O ser humano é descartável no Brasil.
Como modess usado ou bombril.
Cadeia? Claro que o sistema não quis.
Esconde o que a novela não diz.
Ratatatá! sangue jorra como água.
Do ouvido, da boca e nariz.
O Senhor é meu pastor…
perdoe o que seu filho fez.
Morreu de bruços no salmo 23,
sem padre, sem repórter.
sem arma, sem socorro.
Vai pegar HIV na boca do cachorro.
Cadáveres no poço, no pátio interno.
Adolf Hitler sorri no inferno!
O Robocop do governo é frio, não sente pena.
Só ódio e ri como a hiena.
Ratatatá, Fleury e sua gangue
vão nadar numa piscina de sangue.
Mas quem vai acreditar no meu depoimento?

(Racionais MCs – Diário de um detento)

No dia 2 de outubro de 1992, policiais invadiram o presídio do Carandiru durante uma rebelião atacaram, e mataram, com uso de metralhadoras, fuzis e pistolas, ao menos 111 presidiários. E hoje, 20 anos depois, os maiores responsáveis pelo extermínio continuam impunes.

Ex-governador é chamado de “assassino” e é eleito “símbolo da impunidade” por manifestantes

Por Igor Carvalho em 02/10/2012
Fonte: Spresso SP

Luiz Eduardo Fleury foi “escrachado”, nesta terça-feira, por seu envolvimento no Massacre do Carandiru (Arte: Rede 02 de Outubro)

Nesta terça-feira (02), no bairro do Pacaembú, zona oeste de São Paulo, o governador de São Paulo à época do Massacre do Carandirú, foi “escrachado” por aproximadamente 50 pessoas em frente à sua casa, no número 50 da rua Monte Verde. A manifestação faz parte de uma série de atos previstos para marcar os 20 anos da fatídica tarde em que o Pavilhão 9 foi invadido e 111 presos morreram, na Casa de Detenção do Carandiru.

O protesto foi chamado pela Rede 2 de Outubro e pelo Levante Popular da Juventude, grupo responsável por outros escrachos, contra torturadores da Ditadura Militar. Durante o protesto, Luiz Antonio Fleury Filho não saiu, apenas alguns seguranças apareceram na guarita de segurança. “Ele sempre será lembrado como o governador que estabeleceu a chamada ‘linha dura’ em São Paulo”, dizia o manifesto dos organizadores, lido antes do ato.

Para JF, militante da Rede 2 de Outubro, “ele [Fleury] ordenou o massacre, mesmo que não tenha feito, foi negligente, o Estado tem autonomia nas decisões da Polícia Militar.”

Uma das justificativas apresentadas, pelos coordenadores do ato, para a escolha do ex-governador, é que o modelo de gerir o Estado não modificou, desde o massacre, e que ele seria um símbolo dessa prática “genocida”. “Questionamos essa lógica do massacre, que ao invés de recuar, se intensificou nesses 20 anos, é uma lógica criminosa que afeta, principalmente, a população pobre e negra,”, afirmou DC, membro da Rede 2 de Outubro e coordenador do grupo Mães de Maio.

Os nomes de todos os 111 mortos foram lidos, enquanto velas eram acesas e fixadas no chão, onde um corpo foi demarcado. Os manifestantes se retiraram gritando, acompanhados dos tambores do Levante Popular da Juventude:

“Ela é injusta, ela é racista,
ela mata, ela é a polícia”
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4 comentários sobre “Fleury é escrachado nos 20 anos do Massacre do Carandirú

  1. eu acho que foi bem feito o massacre n morreu gente boa la dentro só tinha gente ruim e creio que na balança da justiça foi feito 1 balanço otimo!!!

  2. vanderson, uma proposta simples de reflexão.

    Pense que seu pai, ou seu filho, poderia estar lá. Considerando que tenha, mesmo, cometido um erro na vida e, ainda que estivesse arrependido, continuaria “pagando” sua dívida com a sociedade naquele inferno. Com condições absolutamente desumanas. Ou ainda, que tivesse sido condenado por um erro que não cometeu (mas essa hipótese eu duvido que leve em consideração).

    Aí um dia, por algum motivo, centenas de policiais entram, caçam e matam. Pense, teriam matado seu pai, seu filho, seu irmão, ou seu amigo. Você sabia ou acreditava que ele tinha errado. Continuaria pensando do mesmo modo? Se alguma pessoas querida a você comete um crime, desejaria sua morte? Aposto que ia querer que estes também pagassem.

    Pois é, apesar de terem cometido crimes, ali estavam pais, maridos, filhos de alguém, já condenados pela justiça. Então qual o motivo de condená-los novamente?

    E, se acha que “matando resolve o problema”, o que te faz diferente daqueles que vc mesmo condena?

    • Na música mesmo o Brown fala “aqui não tem santo”, os presos fizeram atos de violência, e também fizeram reféns, a tolerância deve ser mínima em relação a isso, uma pena que alguns que não mereciam morreram, mas vários desses aí não hesitariam em tirar a vida de um policial

  3. “cadeia guarda o que o sistema não quis”

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