Professores da Unifesp Guarulhos decidem por paralisação

Hoje, em uma assembleia de docentes, reuniram-se cerca de 100 professores e professoras dos diversos departamentos do campus Guarulhos da Unifesp.

Nesta assembleia que se iniciou por voltas das 10h da manhã em uma pequena sala, outro reflexo dos problemas de infraestrutura enfrentados, os docentes decicidiram com cerca de 80% dos votos por PARALISAÇÃO. Em que deve haver uma total mobilização e a realização de uma série de manifestações.

Além disso, a assembleia discutiu por bastante tempo as ações de estudantes deste campus da Unifesp, paralisados há duas semanas pelos mesmos motivos da paralisação docente. Dentre os pontos debatidos, um fato apresentado após a leitura de uma carta aberta redigida pelo Prof. Plínio de Filosofia provocou uma grande discussão acerca de uma falsa polêmica.

Nesta carta, o professor aponta que foi coagido e ameaçado por estudantes em uma tentativa de aula e, a partir daí, outros professores se indignaram por estarem expostos à violência também nas Universidades e não só nas escolas.

Contudo afirmamos, falsa polêmica. Por uma série de questões a serem debatidas com mais profundidade. Tendo em vista que a sala de aula não se resume em um espaço de trabalho docente, mas em um dos espaços da educação, relação que envolve ensinar e aprender. Mas uma informação importante é saber que em momento algum os estudantes agiram com violência naquele momento. O professor não teve sua integridade ameaçada e, sobretudo, o movimento continua pacífico. Tendo, simplesmente sido utilizadas ferramentas tais quais instrumentos musicais que buscavam garantir o que se determinou coletivamente: GREVE.

Decepcionante saber que professores universitários tentam comparar suas condições de trabalho aos professores da rede pública (nas modalidades Fundamental e Médio), a qual  se expõem todos os dias a diversos riscos e a péssimas e degradantes condições de exercício de suas funções por baixíssimos salários. Enquanto estes outros, membros da “elite intelectual” ao serem questionados, contrariados, nas pouquíssimas horas semanais em que estão presentes no campus, acusam violência.

É ainda inaceitável que professores tomem posições tão duras e incisivas a partir de um relato unilateral e distorcido. Ao que sabemos, ou somos levados a acreditar, uma análise deve ser mais ampla, profunda e complexa do que a superficialidade que se instaurou naquela discussão.

A luta continua.

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4 comentários sobre “Professores da Unifesp Guarulhos decidem por paralisação

  1. Não acredito que seja falso o que o professor disse, já presenciei a grosseria e estupidez de alguns do movimento de greve.

  2. Bem, falsa polêmica não é simplesmente falso, apesar de esse fato ter sido, pelo menos muito exagerado pelo relator.

    Falsa polêmica se diz porque, a assembleia dos professores deveria ter discutido encaminhamentos políticos para os problemas vividos por todos, por meio de instrumentos de luta, intervenção, reivindicação. Mas, ao invés disso, passaram a maior parte do tempo sobre a “violência” de estudantes durante a greve. Ainda mais tendo essa discussão ter se iniciado por conta de uma carta apresentada por um professor que já protagonizou situações semelhantes.

    Exagerado pelo Plínio (não o Salgado, mas o Smith, professor daqui), como das outras vezes em que se criou uma grande tempestade em copo d’água.

    Os professores não estão (ou não estavam) paralisados. Isso era e continua sendo um ponto superado, todos sabem. Entretanto, usam a abusam de seu poder coercitivo para incentivar estudantes a desacatarem um acordo coletivo (acho que a assembleia de mais de mil pessoas com uma expressiva decisão de aproximadamente 90% dos presentes indicou de modo muito claro isso).

    Ameaçam faltas, exigem trabalhos, entre outras cobranças que ocasionariam reprovação de estudantes e, como a maioria pretende se formar o mais rápido possível, isso acaba funcionando e a decisão individual de alguns poucos afetam o coletivo e muitos que se mantiveram em acordo com as decisões da maioria.

    Outra justificativa é argumentar a qualidade da formação: “vocês perdem a aula, o conteúdo se considera dado e depois (provavelmente nunca) faremos reposição”, dizem. Pensando que o processo formativo acontece só em sala de aula. Esquecem-se que com um desperdício de cerca de 4,5h no deslocamento de ida e volta à Unifesp muitos abdicam de suas leituras, com as filas no xerox (paliativo à falta de biblioteca) não têm sequer acesso aos textos! Chegam atrasados, o que se agrava se houver a necessidade de encarar uma longa fila para jantar. E isso, não compromete a formação?

    Daí o que se percebe é que a violência institucional a partir de quem tem poder se compreende “natural”; mas uma resistência que promova um confronto a esse poder com qualquer ferramenta que coloque em risco esse status é autoritária, arbitrária, violenta.

    Onde há a violência? Exercer o poder sobre outro ou resistir a esse poder, ainda mais quando é claro o direito de resistir?

    • Não havia tomado conhecimento desta dicussão da assembléia dos professores. De fato soa como piada este tal de Plínio Smith querer se passar por vítima, pois o ato de que ele se queixa aconteceu logo após ele expulsar da sala de maneira grosseira um estudante que tentava dialogar para convencê-lo a respeitar a greve.

      Ao mesmo tempo, considero muito difícil que do lado desfavorecido (os estudantes sujeitos a diversas formas de perseguição política, não só da parte de seus professores) surjam atitudes ´´grosseiras“ ou ´´estúpidas“ sem que se dê algum mínimo motivo pra isso. Escrevo isso porque o comentário da Jane não dá conta de explicar o contexto em que ocorreu o que ela afirma ter visto, e furar greve na minha opinião é algo muito errado. Não aceito qualquer crítica que seja vinda de quem opta por não conviver amistosamente com o movimento estudantil.

  3. Mas nas Assembléia também eram para serem discutidas as propostas e o que uma parte dos alunos faz é discutir a moralidade ou não dos professores, se tem alunos que são agressivos com os próprios colegas por quê não viriam a ser com os professores?

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