Lançamemento de “Memórias” de Gregório Bezerra na USP

Título: Memórias
Autor(a): Gregório Bezerra
Páginas: 648
Ano de publicação: 2011
ISBN: 978-85-7559-160-4
Preço: R$ 74,00
Indique para um amigo

Mais de trinta anos após a publicação das Memórias (1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da advogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arraes) Eduardo Campos, entre muitos outros.

Em Memórias, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia.

Nascido em Panelas, no Agreste pernambucano, a 180 km de Recife, Gregório era filho de camponeses pobres, que perdeu ainda na infância, e com cinco anos de idade já trabalhava com a enxada na lavoura de cana-de-açúcar. Analfabeto até os 25 anos de idade e militante desde as primeiras movimentações de trabalhadores influenciados pela Revolução Russa de 1917, Bezerra teve papel de destaque em importantes momentos políticos da esquerda brasileira, e por conta disso totalizou 23 anos de cárcere em diversos presídios e épocas. Foi deputado federal (o mais votado em 1946) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ferrenho combatente do regime militar, e por essa razão protagonizou uma das cenas mais brutais da recém-instalada ditadura pós-golpe de 1964: capturado, foi arrastado por seus algozes pelas ruas do Recife, com as imagens tendo sido veiculadas pela TV no então Repórter Esso. A selvageria causou tamanha comoção que os registros da tortura jamais foram encontrados nos arquivos do exército.

Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: “Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo”. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros “Gregórios” que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída.

Trechos do livro

“Foi o Natal mais farto e rico de alegria a que assisti durante os nove anos e dez meses de minha vida. Além disso, ganhei dois metros de algodãozinho para fazer duas camisas, porque só tinha uma e velha, que já estava virando farrapo. Aproveitei a cumplicidade de vovó e pedi-lhe que me fizesse uma camisa e uma calça, em vez de duas camisas. A velha topou as minhas antigas pretensões. Entretanto a costureira, que foi a minha tia Guilhermina, em vez de me fazer uma calça, fez uma ceroula grande, de amarrar acima do tornozelo. Deram-me para vestir. Achei bonita e até mais bonita do que uma calça, porque me fez lembrar do meu falecido avô, que, quando vivo, somente vestia ceroulas compridas amarradas no tornozelo. Calça só vestia quando ia à feira ou em visita aos domingos. Afinal, todos aprovaram a ceroula, menos minha irmã Isabel. Ganhei a “batalha” de anos atrás, quando pleiteei uma calça no sítio Goiabeira. Era feliz, agora, e me sentia homem. O Natal e Ano-Novo serviram para minhas exibições de ceroulas compridas e camisa fora da calça.”

“Voltei à rua, tentando ver se alguns operários haviam chegado. Não havia ninguém. Fiz um ligeiro comício para os pequenos grupos que se aglomeravam nas sacadas dos prédios vizinhos, concitando-os a pegar em armas, sob o comando do camarada Luiz Carlos Prestes. Fui aplaudido das varandas por alguns estudantes que ali moravam. Mas o apoio, infelizmente, não passou dos aplausos. Um oficial tentou prender-me, pedindo-me que, pelo amor de Deus, eu me rendesse. Ao chegar a dez metros de mim, apontei-lhe o fuzil e o fiz recuar. Vinha chegando um sargento radiotelegrafista que, de longe, perguntou-me o que havia. Respondi-lhe que, se quisesse lutar pela Aliança Nacional Libertadora, tinha um lugar a sua disposição; se não, caísse fora enquanto era tempo.”

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA:
13/07/2011 – Coluna Xeque-Mate – Correio Popular (Campinas) – Memórias de Gregório –Ricardo Alécio
13/07/2011 – Correio Popular – Xeque-Mate – Memórias de Gregório – Ricardo Alécio
14/07/2011 – Carta Maior – As memórias de Gregório Bezerra – Divulgação
15/07/2011 – O outro lado da notícia – Livro homenageia Gregório Bezerra, um comunista exemplar – Divulgação
16/07/2011 – Blog do Miro – Memórias, de Gregório Bezerra – Divulgação
18/07/2011 – Fazendo Media – Lançamento de Memórias de Gregório Bezerra – Divulgação
19/07/2011 – Laboratorio de Estudos do Tempo Presente – UFRJ – Memórias, de Gregório Bezerra – Divulgação
19/07/2011 – Vermelho – Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil –Anita Leocadia Prestes
21/07/2011 – Carta Maior. – A história de um valente – Luciano Morais e Roberto Numeriano
22/07/2011 – O Outro Lado da Notícia. – A história de um valente – Luciano Morais e Roberto Numeriano
25/07/2011 – Vitruvius – Gregório Bezerra: Memórias de um militante de esquerda – Da Redação.
26/07/2011 – Fundação Lauro Campos – Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil – Anita Leocadia Prestes
02/08/2011 – Via Política – Memórias da luta: Gregório Bezerra – Anita Leocadia Prestes
03/08/2011 – Istoé – Brasil Confidencial – Um homem de luta – Octávio Costa
04/08/2011 – HNews – Coluna do Verde – Relançamento – Verdelírio Barbosa
05/08/2011 – Jornal do Comércio – Livros – Lançamentos – Jaime Cimenti
06/08/2011 – Folha de S. Paulo – Ilustrada. – De Ferro e de Flor – Fabio Victor
06/08/2011 – Folha de S.Paulo – Ilustrada – Militante sempre foi celebrado por intelectuais de esquerda – Fabio Victor
06/08/2011 – Blog de Jamildo – ”Memórias” de Gregório Bezerra traz à tona vida assombrosa de líder comunista pernambucano – Fabio Victor
07/08/2011 – O Outro Lado da Notícia.. – Admiração por Gregório Bezerra – Osvaldo Bertolino
08/08/2011 – Folha de Pernambuco – Fogo cruzado – Inaldo Sampaio
13/08/2011 – O Estado de S. Paulo – Sabático – Flagrantes da resistência às Ditaduras – Paulo Sérgio Pinheiro
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s