Carta aberta à Coordenação do curso de História da Unifesp

Prezada Coordenação,

no dia 04 de março de 2011, recebemos sua resposta ao e-mail enviado no dia anterior por um dos representantes discentes na Comissão Curricular de História – CCH, intitulado “antiga e brasil III”, que solicitava o esclarecimento das seguintes dúvidas:

a) o que motivou a mudança de professores nestas UCs?

b) por que isso foi feito somente depois de finalizada a pré-matricula?

c) por que o sistema apresentava disponibilidade de vagas no período noturno da UC História Antiga quando, na verdade, não havia mais vagas?

1 – De fato, a prioridade para “troca de turno dos discentes (noturno-vespertino; vespertino-noturno), nas disciplinas obrigatórias” deve ser dada aos estudantes com problemas decorrentes de “alteração de horários de trabalho, problemas familiares, dificuldades pessoais que não podem ser sanadas, entre outros”.

Todos os docentes são selecionados em concurso público e sua competência para ministrar os cursos é atestada pela instituição, como garantia de que todos e todas têm formação e qualificação para ministrar suas respectivas Unidades Curriculares – UCs. Contudo, considerando o corpo docente como um dos fatores que interferem na qualidade do curso e da instituição, não podemos descartar a pertinência de submetê-lo a uma constante avaliação institucional, para além da produção e da produtividade acadêmicas. A aplicação do questionário formulado pela Prograd para a avaliação das UCs vai neste sentido, mas não é uma política sistemática da instituição. Ademais, seus desdobramentos práticos, se existirem, não são conhecidos pela comunidade universitária.

2 – Consideramos fundamental uma discussão ampla sobre os processos de pré-matrícula e matrícula, visando aprimorá-los cada vez mais, como reconhecidamente vem acontecendo. Anteriormente, já havíamos manifestado nossa preocupação com a superlotação da disciplina de História da Ásia, na qual se optou pela unificação de duas turmas de termos diferentes (3º e 7º) em uma só sala de aula. Exceção que, no que depender de nós, não se tornará regra.

Acreditamos que os procedimentos em relação às matriculas nas UCs em três períodos (17 a 19/01,  31/01 a 01/02 e 28/02 a 11/03) apresentam avanços significativos em relação aos procedimentos adotados em semestres passados. Contudo, é de conhecimento comum a permanência de problemas na alocação de disciplinas. A responsabilidade frente a esta questão não é exclusiva de nenhuma das partes envolvidas. Porém, em última instância, é a Coordenação do Curso que responde por eles.

3 – Nos preocupamos com o fato de que UCs iniciem sem que nem a instituição nem os discentes matriculados tenham conhecimento prévio da respectiva ementa, como ocorreu com o período vespertino da UC História Antiga. Sabemos que esta questão não se inicia neste momento e não se restringe ao curso de História da Unifesp, nem à essa universidade.

Devemos proporcionar uma reflexão coletiva a respeito do papel que as ementas devem cumprir. Afinal, sabendo que a ementa não é prescindível – caso contrário os docentes não precisariam elaborá-las – precisamos pensar sobre os impactos pedagógicos nos discentes e na instituição, em face do desenvolvimento de uma disciplina que, eventualmente, seja carente de uma ementa previamente socializada. É preciso avaliar, inclusive, se a desinformação dos discentes quanto às ementas das UCs que irão cursar, seja ela decorrente de desinteresse ou devido à inacessibilidade, tem ou não impactos pedagógicos no desenvolvimento dos cursos.

4 – A CCH, em suas reuniões no último semestre, construiu a grade curricular ora em vigor e estabeleceu a alocação dos docentes nas UCs correspondentes. Mudanças de cenários no decorrer dos processos são esperadas em qualquer planejamento. Conosco não foi diferente. Mas, nestes casos, é necessário estabelecer previamente mecanismos de tomada de decisão frente a estas mudanças.

A Coordenação fez a modificação que considerou necessária. Uma consulta aos membros da CCH seria minimamente recomendável, uma vez que esta comissão formulou e aprovou a nova grade curricular, indicando os docentes para as respectivas disciplinas. Como metodologia, a consulta contribui não apenas para evitar que as responsabilidades fiquem sobre os ombros de poucos, mas, sobretudo, para que soluções sejam coletivamente buscadas e implementadas.

5 – A modificação na alocação de docentes ocorreu somente depois de finalizado o segundo período de matrículas, uma vez que só então houve “confirmação de que o Prof. Glaydson não viajaria mais”.

As “questões burocráticas” – justificativa dada para a mudança de planos – não nos diria respeito, não fosse um detalhe: o próprio professor, em sala de aula, afirmou que optou por cancelar sua viagem para concorrer à Vice-diretoria Acadêmica do campus. Assim, as “questões burocráticas” não estão no âmbito privado, mas no foro público. A coordenação do curso poderia ser mais transparente em sua resposta, revelando-nos os reais interesses envolvidos, que, cedo ou tarde, seriam conhecidos. De qualquer modo, optou por não fazê-lo.

6 – Infelizmente, pelas circunstâncias, o Prof. Glaydson teve muito pouco tempo para preparar seu programa para a UC de acordo com os pressupostos pedagógicos e curriculares que considerasse mais adequados. Aparentemente, a semelhança quase absoluta entre os programas do período vespertino e noturno indica que houve um entendimento entre os docentes a respeito da ementa e do programa a se desenvolver, o que é salutar. Contudo, esperamos que o trabalhoso processo reflexivo prévio que envolve a formulação da ementa e do programa não se dissocie de seu desenvolvimento em sala de aula.

7 – Aproveitamos para reconhecer e agradecer aos servidores técnicos administrativos pelo seu trabalho, que certamente foi de grande contribuição para minimizar os problemas ocorridos na matrícula nas UCs e ajudar os estudantes no que fosse preciso.

Estamos à disposição para discutir, no âmbito da CCH e em todos os outros, as prioridades do curso, da universidade e também da sociedade.

Atenciosamente,

Centro Acadêmico de História – Gestão HistoriAção
Jaime Júnior – representante discente na CCH
Rodrigo Cesar – representante discente na CCH

Guarulhos, 28 de março de 2011

Baixe aqui em PDF

ANEXO – mensagem da Coordenação do Curso (4 de março de 2011)

Caro Rodrigo,

Em atenção às suas questões, queremos, em primeiro lugar, lembrar a você e, por extensão, a todos os alunos do nosso curso que na troca de turno dos discentes (noturno-vespertino; vespertino-noturno), nas disciplinas obrigatórias, nunca foram aceitas justificativas que se baseassem na escolha de nomes de docentes. A troca de turnos se aplica aos problemas discentes da seguinte natureza: alteração de horários de trabalho, problemas familiares, dificuldades pessoais que não podem ser sanadas, entre outros. A escolha de horários por parte dos alunos é anterior ao próprio ingresso na universidade. As vagas, portanto, devem ser reservadas para atender problemas de natureza outra do que o julgamento subjetivo sobre a ementa ou o docente. Temos a obrigação de oferecer UCs obrigatórias com docentes concursados e competentes – e é o que fazemos. Partindo desse suposto, não houve alteração no horário – os dias das UCs obrigatórias não foram alterados e os dois horários, vespertino e noturno, estão cobertos pelos docentes especialistas nas disciplinas.

Em todo o caso, podemos explicar o porquê dos pontos levantados:

a) no caso de História Antiga, o Prof. Glaydson não daria aula neste semestre, pois desenvolveria atividades de pesquisa na França, algo que já estava previsto e referendado pela Coordenação do Curso, pela Diretoria Acadêmica e pela Reitoria desde o 2o. semestre do ano passado; chegamos, inclusive, a tratar disso na CCH (lembra?) quando discutimos a grade/alocações atuais. No entanto, questões burocráticas fizeram com que a viagem tivesse de ser adiada e, correto como sempre, o Prof. Glaydson prontamente solicitou a sua entrada na grade, que foi definida após conversa e em comum acordo com o Prof. Carlos Augusto, originalmente alocado nas turmas da tarde e da noite. Já no caso de História do Brasil III, não se trata propriamente de uma “mudança”, e sim de um acerto, pois desde o início a Profa. Edilene daria aulas para o noturno e a Profa. Karen, para o vespertino. Como esse erro certamente se deu no momento de a CCH informar as alocações para a Elaine, cabe a nós assumi-lo.

b) A confirmação de que o Prof. Glaydson não viajaria mais ocorreu somente após encerrado o segundo período da rematrícula (cf. item “c”, abaixo); da mesma forma, só depois de encerrada essa etapa é que nos demos conta da inversão em Brasil III.

c) Este semestre, conseguimos instituir o processo de matrícula online em três etapas.
No primeiro período, realizado entre 17 e 19 de janeiro de 2011, os alunos podiam manifestar interesse por disciplinas sem restrição, inclusive domínios conexos. Foram informados então que solicitações seriam analisadas e deferidas de acordo com demanda, levando em conta o fato de ser uma UC fixa do aluno no termo e turno e também o fato deste aluno ser concluinte.
No segundo período de rematrícula online, entre os dias 31/01 e 02/02, os alunos deviam conferir se as disciplinas solicitadas no primeiro período foram deferidas e podiam alterar os planos de estudos, matricular e/ou cancelar disciplinas. Frisamos que este era o último momento em que o aluno podia fazer estas opções (o antigo processo de acomodação que era feito na secretaria).
Pelo planejamento da secretaria, o terceiro período, iniciado em 28/02 e que se encerra em 11/03, era destinado apenas ao cancelamento de disciplinas. No entanto, como houve alguns problemas no sistema de pré-matrícula, resolveu-se disponibilizar também a matrícula neste processo.
No 2º e no 3º períodos de rematrícula, a secretaria enviou por e-mail um quadro constando a quantidade de vagas disponíveis nas UC´s do curso e domínios conexos. Optou-se por não lançar a quantidade de vagas no sistema para que os alunos não fossem prejudicados, já que, por exemplo, se lançássemos 5 vagas para uma UC no sistema, os 5 primeiros alunos que tentassem matrícula conseguiriam a vaga e o critério seria por ordem de chegada e não por análise curricular, como foi proposto no Conselho Provisório de Campus e por todo corpo técnico envolvido na elaboração do processo de rematrícula.
Especificamente no que diz respeito à História Antiga no período noturno, no segundo período de rematrícula, a procura já foi muito grande, o que levou a alterar a sala prevista para a UC, que comporta apenas 60 alunos, para outra que acomoda 70 alunos, para que todos que solicitaram matrícula na UC no primeiro e segundo períodos fossem contemplados. Aliás, nestas duas etapas, excluindo História da Ásia, os alunos foram atendidos em praticamente todas suas solicitações nas UCs de História. Conseguimos acomodar quase todos, alterando as salas de aulas e negociando com alguns professores a quantidade de alunos recebidos. Quando do início do 3º período de rematrícula, antes da alteração do professor responsável pela UC, já havíamos informado aos alunos de que não havia vagas em História Antiga no noturno.
Todos os alunos foram informados do processo de rematrícula, quantidade de vagas e critérios de deferimento e estão cientes de que não há garantia de vagas neste último período, porque não há vagas disponíveis em várias UCs e tentamos acomodar todos nos dois primeiros períodos.

Por fim, cabe ressaltar que os alunos que não se sentirem confortáveis com a alocação podem encaminhar para CCH suas demandas. Poderemos, nesse âmbito, discutir as prioridades, de maneira criteriosa como sempre.

Atenciosamente,

Coordenação do Curso de História


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