Nota pública pública a respeito dos rumos da Greve dos estudantes

Caros colegas estudantes do Campus Guarulhos,


Nós, estudantes de História da Unifesp, reunidos em Assembleia no dia 29, segunda-feira, após uma reflexão crítica e longas discussões acerca da nossa última reunião com o reitor, pró-reitores e Diretoria Acadêmica; das nossas pautas de reivindicação e dos rumos da greve, decidimos emitir o seguinte posicionamento.

A pertinência das nossas reivindicações foi fundamental para que empreendêssemos uma luta com solidez e determinação. As questões materiais levantadas sobre a infra-estrutura e política de permanência estudantil, principalmente, dirigiu-nos a um processo de mobilização e conquistas políticas. Detectados os problemas quanto à questão dos transportes, dos auxílios permanência, da construção do prédio, do jubilamento, da moradia e do restaurante universitário, os estudantes mobilizaram-se reivindicando posturas mais comprometidas com essa pauta, além de reavaliações na política de gestão da universidade e a consolidação efetiva e com qualidade do processo de expansão da Unifesp, entendido como precário e fragilizado.

A greve tem sido importantíssima em todo esse processo, uma vez que a partir dela várias discussões, aulas públicas, manifestações e outras atividades foram realizadas, envolvendo seus participantes em um verdadeiro espaço de aprendizado e enriquecimento político. A greve vem sendo fundamental para ampliação de debates entre os estudantes, servidores e docentes sobre sua vida acadêmica, suas condições concretas e suas perspectivas. Um debate que diversas vezes indicou a variedade de pontos de vista, de todos os segmentos da comunidade acadêmica, a respeito do que significa uma Universidade, do que significa ensino superior de qualidade e, em nosso campus, o que se entende por formação efetiva em Humanidades.

Tal riqueza de posicionamentos, apenas fortaleceu o processo desencadeado e movido pelos estudantes, sinalizando sua força política. Pela primeira vez, o movimento estudantil do campus Guarulhos senta-se a uma mesa e discute em nível de igualdade com autoridades institucionais acerca das reivindicações dos estudantes, em seu próprio espaço.

Nessa reunião avaliamos que após uma discussão ponto a ponto das pautas de reivindicação com o reitor, pró-reitores e diretoria acadêmica abriu-se um espaço importante para a mobilização e o diálogo permanentes entre os segmentos e essas autoridades da Unifesp. Na mesma reunião, os representantes desta instituição se recusaram a assinar qualquer documento produzido pelo movimento estudantil que não fosse apenas a ata do encontro. Após tentativas de negociar o atendimento das pautas reivindicadas, o que se teve foi a alegação de que a ata assinada por eles significaria a formalização do comprometimento esperado na ocasião.

Em resumo, não houve garantias de realização das pautas colocadas pelos estudantes. Não foram colocados prazos ou como seriam realizadas as reivindicações. No entanto, consideramos o reconhecimento da importância e legitimidade das pautas apresentadas pela mobilização estudantil e o comprometimento em relação às mesmas por parte da Reitoria como conquistas políticas importantes.

Frente a situação que se observa, a Assembléia dos estudantes de História, instância máxima do Centro Acadêmico de História (CAHIS), propõe à discussão dos estudantes a colocação de um prazo para encerramento da paralisação das atividades acadêmicas, como forma de manter e avançar as conquistas políticas e acumular forças para futuras conquistas materiais. Com prazo de alguns dias para o devido pronunciamento de encerramento da greve, indicamos a fundamental importância dos dias seguintes em favor da organização da mobilização permanente que participará, cobrará e acompanhará o atendimento das nossas pautas de reivindicação junto às autoridades responsáveis pela gestão da Unifesp, bem como garantir a negociação coletiva juntos aos professores e servidores a respeito da continuação do ano letivo.

Por fim, reiteramos a autonomia do movimento estudantil e suas instâncias de decisão e ação, a quem cabe a responsabilidade de definir seus próprios rumos.


Certos de que mantemos sempre o espaço aberto ao diálogo, às discussões e aos debates,


Estudantes de História reunidos em Assembléia no dia 29 de Novembro de 2010

Centro Acadêmico de História – CAHIS

Universidade Federal de São Paulo – Campus Guarulhos

 

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