Leis antissemitas de Nuremberg são expostas nos EUA com 63 anos de atraso

De Agencia EFE

Washington, 6 out (EFE).- As leis antissemitas de Nuremberg, assinadas por Adolf Hitler em 1935, serão expostas a partir de hoje em Washington, onde chegam com 63 anos de atraso para contar duas histórias: a da origem do Holocausto e a de como suas provas se transformaram em “souvenirs” para os soldados americanos.

Leis antissemitas de Nuremberg são expostas nos EUA com 63 anos de atraso

Desaparecidas por mais de meio século, as leis serão exibidas pela primeira vez nos Arquivos Nacionais de Washington, para onde foram levados, em 1947, todos os documentos que serviram como provas nos julgamentos de Nuremberg após a Segunda Guerra Mundial.

Em 15 de setembro de 1935, o Parlamento do Terceiro Reich aprovou três leis que significariam um marco para as políticas antissemitas da Alemanha nazista, como a classificação dos judeus como “sujeitos do Estado” em vez de cidadãos e a proibição de toda relação entre eles e os alemães.

Mas a Promotoria dos julgamentos de Nuremberg (1945-46) dispôs apenas de cópias dessa prova, a mais incontestável dos crimes nazistas, enquanto os originais permaneciam esquecidos nos porões de um museu na Califórnia.

Os documentos haviam chegado até o estado pelas mãos do célebre general George S. Patton, que os recebeu de um grupo de soldados americanos em maio de 1945. Certa vez, Patton foi visitar a família e decidiu deixar as leis na porta do imóvel da frente: a Livraria Huntington, de San Marino.

“Não doou, simplesmente os largou ali sem nenhuma instrução específica”, disse à Agência Efe o historiador dos Arquivos Nacionais, Greg Bradsher.

Quando o general morreu em um acidente de carro, em dezembro do mesmo ano, os arquivos ficaram em San Marino, “não completamente esquecidos, mas sem a tutela de ninguém”, relatou Bradsher.

A decisão de Patton, que desobedeceu as ordens que exigiam manter em território alemão qualquer prova relacionada com a perseguição dos judeus, não foi descoberta até 1999, quando um artigo no jornal “Washington Post” revelou que os documentos tinham ficado ocultos durante anos no museu californiano.

O artigo não demorou a chegar às mãos de Michael Dannenberg, um dos três soldados que encontraram as leis no final da guerra. Indignado, o veterano soube que “o sem-vergonha do Patton” tinha reclamado para si a localização das leis, segundo explicou à Efe seu filho Richard.

“Patton contava que tinha buscado os documentos incansavelmente, com as armas na mão. Mas meu pai tinha fotografias para demonstrar que não foi isso o que aconteceu”, afirmou o filho do soldado, falecido em agosto deste ano.

As leis foram levadas ao recém-inaugurado Centro Cultural judaico Skirball, em Los Angeles, mas muitos historiadores e o próprio Dannenberg se perguntavam por que não poderiam ser guardados nos Arquivos Nacionais, junto aos milhões de documentos do período entre guerras na Alemanha.

“Nos demos conta de que se Patton não os tivesse levado consigo à Califórnia, teriam sido uma prova nos julgamentos de Nuremberg e teriam voltado aos Arquivos Nacionais, assim como todos os documentos desse processo”, explicou Bradsher.

Segundo ele, a história de Patton é muito comum: a cada ano aparecem novos documentos entregues pelas famílias dos soldados, que “traziam para casa ‘souvenirs’ da guerra”.

As leis de Nuremberg distinguiam cidadãos e não cidadãos, mas não tinham elaborado ainda uma definição de “judeu” que permitisse aplicar as cláusulas que impediam o casamento com alemães e o trabalho de forma legal no país.

“O processo de definição foi muito complexo, mas foi interrompido pelos Jogos Olímpicos de 1936 e as ânsias expansionistas de Hitler. A transição da exclusão social ao extermínio não foi tão rápida como se acredita”, afirmou Bradsher.

Quando a exposição for encerrada, no dia 18 de outubro, existe a hipótese de que os documentos sejam emprestados a outras instituições acadêmicas pelos Arquivos Nacionais.

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