Historiadora provoca pedido de desculpas de EUA à Guatemala

Não é freqüente se dar tanta atenção a “descoberta” de uma historiadora (ou seria o jornalista que “descobriu” a historiadora?)Início do conteúdo

EUA se desculpam por experimento com sífilis na Guatemala nos anos 40

Governo americano financiou experimento em que presidiários eram deliberadamente infectados
01 de outubro de 2010
Associated Press – AP

Cientistas americanos infectaram deliberadamente com sífilis prisioneiros e pacientes de um hospital psiquiátrico da Guatemala há 60 anos, um experimento que recentemente foi redescoberto e que levou autoridades dos Estados Unidos a se declararem ultrajadas por essa “pesquisa repreensível”.

PD-USGOV/Reprodução
PD-USGOV/Reprodução
Médico tira sangue de vítima do experimento Tuskegee, nos EUA

O governo dos EUA financiou o experimento, que durou de 1946 a 1948, e que foi descoberto por uma historiadora do Wellesley College. A experiência foi realizada, aparentemente, para determinar se a penicilina seria útil contra doenças sexualmente transmissíveis. Não produziu nenhum resultado útil e ficou escondida por décadas.

Dois membros do ministério do governo Obama desculparam-se com o governo guatemalteco, e o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que Obama telefonará pessoalmente para o presidente da Guatemala, Alvaro Colón. Gibbs declarou que o experimento foi” chocante, trágico, repreensível”.

O pesquisador do governo envolvido no estudo guatemalteco também tomou parte no infame experimento de Tuskegee, no qual cientistas acompanharam, de 1932 a 1972, 600 negros do Alabama que tinham sífilis, sem jamais oferecer-lhes tratamento.

Atualmente, regras rígidas determinam que é antiético fazer experimentos em seres humanos sem consentimento, e requerem medidas especiais quando a experiência envolve populações vulneráveis, como presidiários. tais regras não existiam nos anos 40.

O governo dos EUA encomendou duas investigações independentes para descobrir o que exatamente ocorreu na Guatemala.

Embora infectar pessoas com doenças deliberadamente seja considerado um ato abominável atualmente, o experimento na Guatemala não representa o único exemplo do que o diretor dos Institutos Nacionais de saúde (NIH) dos EUA, Francis Collins, chama de “capítulo negro da história da medicina”.

Quarenta experimentos de infecção deliberada foram conduzidos nos EUA no mesmo período, afirmou ele.

Na Guatemala, 696 homens e mulheres foram expostos à sífilis ou gonorreia, por meio de visitas de prostitutas à cadeia ou por inoculação direta, informa a historiadora Susan Reverby. Os infectados receberam penicilina, mas não está claro quantos foram tratados com sucesso.

Ela diz que os EUA tinham autorização do governo da Guatemala para realizar o estudo, mas que os “voluntários” não eram informados. A historiadora fez a descoberta ao pesquisar os registros de John Cutler, um importante médico do governo americano nos anos 40, durante um levantamento sobre o caso Tuskegee.

A revelação dos abusos médicos é apenas o mais recente capítulo da conturbada relação dos EUA com a Guatemala. Em 1954, o governo americano ajudou a derrubar o presidente democraticamente eleito Jacobo Arbenz, lançando o país numa sangrenta guerra civil que só terminou em 1996 e matou 200.000 pessoas.

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